Associação Norgestomet-Cloprostenol na Indução do Parto em Cabras Leiteiras PROCI-1996.00025 Ai,E 1996 SP-1996.00025 Hymerson C. Azevedo; Hévila O. Salles; Rui Machado; Adriana T. Soares; Diônes O. Santos o preciso controle sobre o momento da parição em caprinos apresenta como vantagens: a assistência á parturiente e ao neonato, bem como a possibilidade da imediata separação mãe-cria, fator importante nos programas de controle das doenças de transmissão vertical, a exemplo da micoplasmose e da artrite-encefalite viral caprina - CAEV. Existem diversos protocolos eficientes de indão do parto para cabras. Entretanto, o inicio da resposta ao tratamento sofre importante variação individual (Santos et aI. 1992, Machado 1994), provavelmente devido aos intrincados mecanismos, neuroendócrinos e mecânicos, envolvidos no parto. Os principais fenômenos endócrinos relacionados ao parto na cabra são o aumento da atividade adrenal do(s) feto(s) com conseqüente hipercorticoideneimia fetal associada á elevação dos niveis de estrógeno e queda na progesteroneimia materna, eventos que são, após 24 horas, sucedidos por um pico de liberão de prostaglandina F 2a . Estas substâncias agiriam no miométrio, provocando as contrações uterinas e permitindo a dilatação cervical (Thornburn 1991, Janszen et aI. 1990, 1993). Entretanto, tem sido verificado para bovinos (Fairclough et aI. 1984, Janszen et aI. 1993) e para caprinos (Machado 1994) que o uso de agentes progestogênicos pode permitir um melhor controle sobre aação das prostaglandinas nos eventos que antecedem ao parto. Deste modo, é hipotetizado que, a sensibilização ("priming") por progestágenos possa prover maior sincronia dos partos induzidos pelos agentes prostaglandinicos. O presente ensaio objetivou avaliar a eficiência da associação entre um agente progestágeno,o norgestomet, e um agente luteolítico, o cloprostenol, na indução sincronizada do parto em cabras leiteiras. Este experimento foi executado na EMBRAPA-CNPC, em Sobral, Ceará. Vinte e nove cabras pluríparas das raças Alpina, Anglo-Nubiana e Saanem receberam implantes subcutâneos de norgestomet no 142 0 dia de prenhez e 75~lg de cloprostenol, um análogo sintético da prostaglandina F2,<opor via intramuscular profunda, no 145 0 dia de prenhez, formando seis grupos experimentais, como mostra a Tabela 1. A remão dos implantes está apresentada na Tabela 1, formando três horários distintos, 36h, 42h e 48h após a dosagem luteolitica. Foram quantificados: tempo transcorrido entre a aplicação do c1oprostenol e o parto e a amplitude na distribuição dos partos. Os dados foram submetidos à analise de varncia. A resposta ao tratamento foi testada pelo qui- quadrado e quando requerido, as freqüências observadas foram corrigidas pelo fator de continuidade de Yeates (Steel & Torrie 1980). TABELA 1- Modelo Experimental. Tratamento nO de implantes Dose estimada de norgestomet (mg), Momento da remoção dos implantes (Horas após aplicação da PGF2,,) um um um dois dois dois 0,706 0,706 0,706 1,412 1,412 1,412 Todas as fêmeas tratadas tiveram partos eutócicos, o que concorda com os relatos de Santos et aI. (1992) e de Salles et aI. (1995) após o uso de análogos da prostaglandina F2 a para induzir o parto em cabras. Similarmente, Machado (1994) não verificou distocias quando o tratamento envolveu agentes progestogênicos. Por outro lado, na espécie bovina, a associação corticosteróide-progesterona exógena havia sido relacionada à maior incidência de distorcias e de mortalidade perinatal de bezerros (Jochle et aI. 1972).