RBRH — Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 16 n.3 - Jul/Set 2011, 113-125 113 Transporte de Sal e Hidrodinâmica do Estuário do Rio Tubarão — SC, Brasil D'Aquino, C.A; Franklin da Silva, L.; Couceiro, M.A.A; Pereira, M.D. Universidade Federal do Rio Grande do Sul cadaquino@gmail.com Schettini, C.A.F Universidade Federal de Pernambuco carlos.schettini@pq.cnpq.br Recebido: 14/05/10 - revisado: 29/11/10 - aceito: 19/01/11 RESUMO Este trabalho apresenta uma primeira caracterização oceanográfica no estuário do rio Tubarão, avaliando os pro- cessos de transporte de sal e caracterizando as principais forçantes físicas que controlam a hidrodinâmica no baixo estuário. Nos dias 3 e 4 de maio foi realizada uma campanha para aquisição de dados hidrográficos ao longo de dois ciclos completos de maré (25 horas), sob condições de maré de sizígia. Informações de velocidade e direção das correntes, temperatura e salini- dade foram obtidas através do fundeio de um PACD e dois CTD`s (superfície e fundo). Um transecto longitudinal de cerca de 33 km foi traçado, ao longo do qual foram efetuados perfis verticais com CTD a cada 1 km e sedimentos de fundo foram coletados a cada 2 km. Também foram realizados estudos hidrológicos e hipsométricos. De forma geral as correntes de vazante foram predominantes no estuário e apresentaram as maiores intensidades. A distribuição vertical de salinidade ao longo do estuário mostrou a presença de uma cunha salina bem definida que penetrou cerca de 27 km estuário adentro. Através da decomposição do transporte advectivo de sal foi possível verificar a maior importância da descarga fluvial e da circulação gravitacional sobre os outros mecanismos físicos que influenciam nas características do transporte de sal no estuário. O estuário foi classificado como de cunha salina. Palavras Chave: transporte de sal, hidrodinâmica, estuário, rio Tubarão INTRODUÇÃO Dyer (1973) e Officer (1976) definiram os seguintes tipos de estuários: altamente estratificados ou cunha salina, parcialmente misturados e, bem misturados ou homogêneos. Como são ambientes dinâmicos, principalmente considerando-se uma escala de observação de horas, dias a meses os estuá- rios transitam entre os diferentes tipos classificató- rios. De forma que, as interações que ocorrem no interior de um estuário, considerando a presença das águas doce e salgada, sob a influencia das condi- cionantes hidrodinâmicas, trarão para cada estuário um diferente grau de mistura e características de transporte, retenção e distribuição de propriedades (salinidade, material particulado em suspensão, nutrientes, etc). Estes ecossistemas dinâmicos têm uma das maiores diversidades do mundo (Hobbie, 2000; Bianchi, 2007) e podem ser vistos sob diferentes escalas de tempo conforme os processos focados. Sob o ponto de vista dinâmico, numa escala de se- gundos a anos, os estuários podem ser caracteriza- dos pela mistura entre as águas doce, de origem fluvial, e salgada, de origem marinha; pela circula- ção gravitacional causada pela diferença de densi- dade dessas águas; pela influência de forçantes co- mo a descarga fluvial, ondas e marés e pelo supri- mento de sedimentos. Segundo Dyer (1986), a diferença de salini- dade entre a água do mar e do rio é entorno de 35, o que gera uma diferença de densidade próxima de 2%. Mesmo pequena ela é suficiente para gerar um importante fluxo residual, chamado de circulação gravitacional. A descarga fluvial proporciona a en- trada de água doce no estuário. Esse volume escoa em direção ao mar, fluindo sobre a água salgada que entra no estuário devido às marés ocasionando, uma circulação bi-direcional, com a água doce fluindo em direção ao mar na camada superficial e a água salgada entrando no estuário junto ao fundo. Conforme a importância de cada variável envolvida nos processos físicos, um estuário irá se