242 S. MÃO DE FERRO ET AL GE Vol. 11 Artigo Original / Original Article SUSCEPTIBILIDADE FREQUENTE PARA CARCINOMA DO CÓLON E RECTO EM FAMÍLIAS COM APENAS UMA GERAÇÃO AFECTADA COM CCR S. MÃO DE FERRO (1) , A. SUSPIRO (1) , P. LAGE (1) , C. ALBUQUERQUE (2) , P. RODRIGUES (1) , H. RAPOSO (1) , P. FIDALGO (1) , C. NOBRE LEITÃO (1) Resumo Introdução: 25% dos cancros do cólon e recto (CCR) ocor- rem em doentes com agregação familiar. Para além das sín- dromas autossómicas dominantes, PAF-C e HNPCC, esta agregação tem sido vista como o resultado de formas de herança dominante com penetrância variável. Contudo, a herança recessiva recentemente postulada, por via de mutações germinais no gene MYH, poderá explicar, com este ou outros genes, parte desta agregação familiar. Objectivos: Avaliar as características clínicas e a prevalên- cia de lesões em indivíduos com história familiar de CCR estratificados por tipo de genograma familiar (apenas uma geração vs. mais que uma geração consecutiva afectada). Doentes e Métodos: Incluíram-se famílias com dois ou mais indivíduos afectados. Consideraram-se dois tipos de genograma: GI-uma geração afectada e GII-mais que uma geração afectada. Analisaram-se 217 indivíduos (72 afecta- dos e 145 familiares em risco) com agregação familiar de CCR, sem critérios para PAF-C ou HNPCC quanto a: tipo de genograma, número de lesões (CCR e adenomas), loca- lização e características histológicas. Resultados: 101 (48,7%) indivíduos pertenciam ao GI e 116 (51,3%) ao GII. Em relação aos doentes afectados 64% apresentavam uma única lesão e 36% mais do que uma lesão. Os afectados do GI são mais velhos (67,9 vs. 53,2 anos) (p=0,02) e o caso mais jovem de CCR na família ocorreu em idade mais avançada no GI (58,0 vs. 47,8 anos - p=0,002). A multiplicidade de lesões foi mais frequente no GI (p=0,012) e nas famílias com mais de 2 parentes afecta- dos (p=0,001). Nos parentes em risco a probabilidade de detecção de lesões é maior se estes pertencem ao GI e se são da mesma geração dos afectados (p=0,05). A agregação numa única geração revelou-se independente na associação com a detecção de adenomas (odds ratio=2,6). Conclusão: Genogramas com atingimento de uma única geração ocorrem em metade dos casos com agregação familiar de CCR e associam-se com multiplicidade de lesões e idade mais avançada de aparecimento de CCR. Sendo difícil, sem marcadores de linkage, separar a he- rança recessiva da dominante, o risco aumentado de encon- trar lesões nos irmãos dos afectados levanta a hipótese de formas recessivas explicarem parte do risco familiar de CCR. Summary Introduction: 25% of colorectal cancer (CRC) occurs in patients with CRC familial aggregation. This rate has been seen as the result of the rare autosomal dominant inherited FAP and HNPCC, as well as of other forms of dominant inheritance with variable penetrance. However, the recen- tly described recessive germline mutations in MYH, has raised the hypothesis that this type of inheritance underlies part of this aggregation. Aims: To assess the clinical features and the prevalence of lesions in individuals with CRC familial aggregation stra- tified by genogram type (only one versus two or more con- secutive affected generations). Patients & Methods: We studied families with two or more affected persons. We analysed 217 persons (72 affected and 145 relatives at risk) with CRC familiar aggregation and without criteria for FAP or HNPCC as to the number of affected generations, number of lesions (CRC and adeno- mas), its localization and histological features. We consi- dered 2 types of genogram: GI - only one affected genera- tion; GII - more than one consecutive affected generation. Results: 101 (48,7%) individuals were included in GI and 116 (51,3%) in GII. Regarding the affected individuals, 64% had one lesion and 36% more than one lesion. GI patients were older (67,9 vs. 53,2 years - p = 0,02) and the youngest case of CRC in the family occurred later (58,0 vs. 47,8 years - p = 0,002). Multiple lesions were associated with GI (p=0,002) and with families with more than 2 affected patients (p=0,001). We found more lesions in rela- tives at risk from GI who belonged to the same generation of affected patients (p=0,05). Single generation aggregation independently predicted adenoma detection in at risk rela- tives (odds ratio=2,6). Conclusions: One affected generation pedigree represents a sizeable fraction of CRC familial aggregation that corre- lates with higher frequency of multiple lesions and older age of CRC. Although it is difficult to distinguish recessive from dominant inheritance without linkage analysis, the higher number of lesions found in siblings of affected patients raises the hypothesis that recessive inheritance underlies part of CRC familial aggregation. GE - J Port Gastrenterol 2004, 11: 242-247 (1) Serviço de Gastrenterologia do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil - Centro Oncológico Regional de Lisboa, S.A., Lisboa, Portugal. (2) Centro de Investigação em Patologia Molecular, Lisboa, Portugal. Recebido para publicação: 17/03/2004 Aceite para publicação: 29/09/2004