Visão Computacional e Realidade Aumentada aplicadas a jogos de RPG de mesa Aline Kimy Miyazaki 1 Guilherme Policicio Rey 1 Mauricio Marengoni 2 alinekm03@gmail.com poli.rey@gmail.com mmarengoni@mackenzie.br 1 Centro Universitário Senac 2 Universidade Presbiteriana Mackenzie Abstract Bringing the fantasy and imagination of the games to the real world is something common nowadays. An example of that is the Role Playing Game, or simply RPG. In such games, friends gather to participate in an adventure, creating scenarios and fictional characters, leading the stories to paths not often imagined. Normally these games use physical objects, like papers, books, pencils and erasers. This paper proposes a system called RARPG (Augmented Reality for Role Playing Games), that uses depth images, augmented reality with projectors, computer vision and image processing to replace these devices with their virtual versions, allowing new ways of interaction and gameplay. 1. Introdução Um jogo de RPG (do inglês Role Playing Game) é diferente dos jogos de mesa habituais. Nele, o que existe é um ambiente colaborativo. Tal ambiente, amparado na imaginação dos jogadores e controlado por um sistema de regras pré-definido, proporciona aos jogadores a chance de deixar a criatividade aflorar para interpretar seus respectivos personagens. No RPG de mesa existem dois tipos de participantes: o mestre e o jogador. O jogador é aquele que faz parte da história, possuindo certas características descritas em sua ficha do personagem. O mestre é o que faz a narrativa, verifica se as ações dos jogadores são válidas, e conforme a necessidade faz papel de inimigos em batalhas e interpreta alguns personagens figurantes – chamados de NPCs (Non Player Character). Uma prática muito comum é o uso de dados para validações de testes. Por exemplo, caso um jogador queira pular um muro, o mestre saberá como realizar o teste baseado no sistema seguido pelo jogo. Neste exemplo, o jogador deverá ter seu atributo de habilidade descrito em sua ficha, e rolar um dado para verificação do resultado, comparando-o com sua ficha. Muitos jogadores de RPG de mesa necessitam de alguns aparatos como lápis, borracha, folhas de papel e dados com quantidades de faces diversas. De acordo com [1] a Realidade Aumentada (RA) é uma particularidade da Realidade Misturada, que tem como principal objetivo misturar o mundo real com o virtual. A RA dá ênfase em manter o usuário no mundo real e enriquecê-lo com partes virtuais. Pode-se identificar uma gama de vantagens ao se transpor alguns elementos físicos para o mundo virtual: Dispensar lápis, borrachas, folhas de papel, dados e outros apetrechos; possibilidade de gravação das aventuras, evitando perda de fichas e dados importantes, podendo retomar a aventura com o mesmo estado das fichas num momento posterior; criação do histórico de cada personagem, para uso em diversas aventuras; melhora no efeito da narrativa com auxílio de mapas e projeção de elementos de referências dos livros de métodos de RPG; rolagem de dados virtuais. O projeto RARPG objetiva criar uma ferramenta na qual a experiência de jogar RPG de mesa seja amplificada com o uso da Realidade Aumentada através da projeção de elementos do jogo em uma mesa comum e do uso do Microsoft Kinect para interação, de maneira que algumas das vantagens apontadas anteriormente possam ser implementadas e avaliadas do ponto de vista de interação, desempenho e usabilidade. O artigo discute como essa nova abordagem para RPGs de mesa foi idealizada, apresenta uma arquitetura para o sistema, e mostra os resultados iniciais e trabalhos futuros deste projeto. . 2. Trabalhos Relacionados Os projetos SurfaceScapes e IRTaktiks trabalharam anteriormente com RPGs baseado em interação em mesa, e a seguir são comparados com o RARPG. O projeto SurfaceScapes [2] promoveu a união do RPG de mesa com o dispositivo multitoque de alta resolução, o Microsoft Surface [3]. O jogo de RPG escolhido para ser implementado no projeto foi o Dungeons & Dragons, o primeiro a ser criado e um dos sistemas de RPG de mesa mais jogados. A interação no dispositivo faz com que um token, um avatar (miniaturas de heróis e monstros) ou outro objeto que seja relacionado ao jogo possa ser interpretado pela mesa – que é capaz de reconhecer objetos dessa maneira – e mostre uma série de opções e ações. A figura 1 apresenta um token posicionado sobre a mesa instrumentada e as opções geradas pelo programa.