Original em inglês: páginas 251 a 260. 1 Modelando o Impacto Climático Regional e Remoto do Desmatamento M.A. Silva Dias, 1 R. Avissar, 2 e P. Silva Dias 1,3 As observações e os modelos concordam que os níveis atuais e os padrões de desmatamento da Amazônia de fato intensificam as transferências de massa e energia entre a terra e a atmosfera por meio da criação de circulações impulsionadas termicamente com efeitos significativos sobre a precipitação, mas que variam sazonal e regionalmente. Isso também indicou a necessidade de identificar o limiar onde o aumento do desmatamento realmente implica a diminuição de pluviosidade, conforme apontado pela maioria dos modelos de circulação geral de baixa resolução. Grande parte dos estudos sobre o impacto remoto ainda é exploratória, mas indicam que os padrões do clima global em regiões remotas da Eurásia e América do Norte podem ser afetados. 1. INTRODUÇÃO Em razão da posição da floresta amazônica nos trópicos, sua precipitação é dominada por convecção úmida. A estação chuvosa é controlada por advecção de umidade do Atlântico que fornece, em média, cerca da metade da umidade do ar usada na precipitação da região [Salati et al., 1979]. O restante é suprido pela evapotranspiração (ET), produzida principalmente pela floresta amazônica de raízes profundas. Dessa forma, a floresta amazônica chuvosa desempenha um importante papel na manutenção do balanço hídrico da região. Como observou Alves et al. [neste volume], o desmatamento da Amazônia continua em ritmo __________________ 1 Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil 2 Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science, University of Miami, Miami, Florida, USA. 3 Laboratório Nacional de Computação Científica, Petrópolis, Brasil Amazonia and Global Change Geophysical Monograph Series 186 Copyright 2009 by the American Geophysical Union. 10.1029/2008GM000817 alarmante, de modo que é importante quantificar os efeitos da redução da área de floresta chuvosa no clima regional e global. Como parte do Experimento de Grande Escala da Biosfera- Atmosfera na Amazônia (LBA), vários experimentos de modelagem foram realizados para estudar o impacto do desmatamento na Amazônia. Esses estudos resultados adicionais a estudos anteriores desenvolvidos por Henderson-Sellers e Gornitz [1984], Dickinson e Henderson-Sellers [1988], Lean e Warrilow [1989], e Shukla et al.[1990}, entre outros. Embora os resultados desses estudos possam variar, a maioria conclui que o desmatamento causa redução da precipitação e evaporação, uma leve elevação da temperatura à superfície, e a redução da convergência da umidade sobre a região desmatada. Esta última mudança implica uma conexão entre o desmatamento e o fluxo atmosférico de grande escala e, de fato, os modelos têm indicado uma redução no movimento vertical em grande escala sobre a Amazônia em resposta ao desmatamento [Nobre et al., 1991; Henderson-Sellers et al., 1993; Hahmann e Dickinson, 1997; Costa e Foley, 2000]. Eltahir [1996] desenvolveu um modelo conceitual no qual uma redução na radiação líquida à superfície em resposta ao desmatamento (devido ao aumento do albedo de superfície) reduz a precipitação convectiva. Essa mudança é