1 Seminário Internacional Max Weber e Michel Foucault: possíveis convergências. São Paulo, 20 a 24 de maio de 2013. Mesa III Estado, condução da vida e governo dos outros Max Weber e Michel Foucault ao rés-do-chão: acerca dos contornos da experiência política no presente a partir de duas distopias contemporâneas Fabiana A. A. Jardim (Faculdade de Educação, USP). No âmbito deste seminário que propõe o exercício de identificar e apontar as convergências possíveis entre dois autores tão fundamentais como Max Weber e Michel Foucault, o caminho que proponho percorrer, ao redor do tema Estado: condução da vida e governo dos outros, se esboça nesse título um pouco estranho que escolhi para minha fala: “Max Weber e Michel Foucault ao rés-do-chão: acerca dos contornos da experiência política no presente a partir de duas distopias contemporâneas”. De diferentes maneiras, a dimensão da política, a dimensão do poder e suas formas, suas práticas, suas manifestações e sentidos, foram alvos das análises tanto de Max Weber quanto de Michel Foucault. Mas como se trata de pensar as possíveis convergências entre os autores, optei por 1) seguir as pistas dessa proximidade nos termos do próprio Foucault, quando sugere participar de uma linhagem filosófica comum a Weber, em especial em textos escritos a partir do final dos anos 1970 e 2) tendo identificado um certo problema comum a ambos, toma-los no sentido de uma “caixa de ferramentas” à qual é interessante recorrer hoje, quando se trata de pensar nosso presente. De um modo geral, a comunicação tem um objetivo ao mesmo tempo bastante simples e excessivamente ambicioso. O objetivo é recolher alguns indícios que nos ajudem a enfrentar o problema de como pensar o Estado hoje? Numa formulação mais foucaultiana, recolher indícios que nos ajudem a enfrentar o problema de como pensar essa nossa experiência estatal, essa configuração de governamentalidades, discursos e práticas que atravessam e se encontram no Estado? Se, na formulação do mesmo Foucault, vale a pena interrogar o Estado não como uma instituição, mas como “efeito móvel de governamentalidades múltiplas” (2008: p.106), como pensá-lo atualmente? Mas apesar da ambição desmedida do objetivo, vou propor aqui um percurso bastante simples (daí o “rés-do-chão” do título) que envolve o exame de dois romances contemporâneos, ambos considerados distópicos um subgênero literário que já nos alimentou com diversas figuras e imagens para operar a crítica das formas de governo em funcionamento. O sistema de castas biologicamente criadas de Admirável Mundo