1 SÍTIOS NATURAIS SAGRADOS NA CONFLUÊNCIA DE TERRAS INDÍGENAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - DESAFIOS E POTENCIALIDADES PARA O TURISMO Mesa-Redonda Érika Fernandes-Pinto 1 e Marta de Azevedo Irving 2 Resumo: Reconhece-se a existência de Povos Indígenas e comunidades locais em vários lugares do mundo, sociedades humanas que tem seus modos de vida adaptados a ambientes particulares e manejam os recursos para seu sustento e reprodução social e também detém profundos valores sagrados em relação à natureza, que freqüentemente estão centrados e arraigados em locais específicos, chamados de "sítios naturais sagrados" (SNS). Este artigo objetiva traçar um panorama geral acerca da discussão sobre SNS e a sobreposição de terras indígenas e áreas protegidas, avaliando a interface com a atividade turística, seus conflitos e potencialidades. Muitos SNS encontram-se ameaçados, por pressões internas e externas. Especialmente nas Áreas Protegidas as atividades turísticas que envolvem SNS podem ser uma fonte de ameaça e conflito com as comunidades locais. Na América do Sul o número de SNS registrados ainda é bastante incipiente e é necessário ampliar os esforços de reconhecimento. Dada a diversidade cultural brasileira e a diversidade de ambientes, o país mostra-se como um dos com maior potencial de ocorrência de SNS. Neste contexto, o turismo desponta como uma atividade potencialmente integradora e que pode catalisar o processo de aproximação e gestão compartilhada entre diferentes atores sociais envolvidos com os SNS, trazendo benefícios tanto para as comunidades indígenas quanto para a conservação dos sítios sagrados e das Áreas Protegidas como um todo. Palavras-chave: sítios naturais sagrados, unidades de conservação, turismo, povos indígenas. 1. Introdução Reconhece-se a existência de Povos Indígenas e comunidades locais em vários lugares do mundo. Estas sociedades humanas tem seus modos de vida adaptados a ambientes particulares e manejam os recursos para seu sustento e reprodução social. Neste ciclo, adquirem um profundo conhecimento sobre as espécies, suas relações, os ecossistemas e suas funções e aprendem a exercer suas práticas dentro de nichos ecológicos específicos. Mais do que base para a subsistência, a natureza é o fundamento para a identidade individual e coletiva e isso leva ao desenvolvimento de um forte "senso de lugar" ou de "pertencimento". Descrito comumente como "conhecimento ecológico tradicional", este conjunto de valores tem sido 1 Mestre em Ecologia, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social do Programa EICOS – Instituto de Psicologia (IP) da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA). erikalencois@yahoo.com.br 2 Doutora e orientadora do Pós-Graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social do Programa EICOS – Instituto de Psicologia (IP) da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. mirving@mandic.com.br