53 vol 24 Nº 1 e 2 jul/dez 2015 Introdução em 20 de julho de 2015, o Conselho de Segurança das Nações unidas aprovou, por unanimidade, uma resolução que pode pôr fim a uma década de confronto entre o sistema internacional de segurança coletiva e o Irã sobre o seu programa nuclear. A resolução 2231 (2015) é resultado de um processo negociador de dois anos que cul- minou na assinatura, em viena, de um Joint Comprehensive Plan of Action (jCPoA) entre o Irã e o chamado e3+3 (ou P5+1), um gru- po composto pelas grandes potências espe- cificamente para esse propósito. 1 o docu- mento estabelece parâmetros detalhados para o controle externo do programa nu- clear iraniano em troca da normalização das relações comerciais e diplomáticas do país. A sua implementação ainda não está garan- tida; há significativa oposição doméstica nos estados unidos e no Irã. Ainda assim, por conta da complexidade e significância do tema, além do histórico de profundo conflito entre as partes, o acordo já se en- contra entre os grandes feitos diplomáticos deste século. Parte central do debate sobre o que le- vou ao sucesso dessas negociações, após anos de impasse, recai sobre o papel das sanções internacionais impostas ao Irã na última década. desde 2005, e com crescente O acordo nuclear com o Irã: o papel e as contribuições das sanções internacionais Marcos Tourinho Marcos Tourinho é pesquisador associado do Programme for the Study of International Governance, no Instituto de Altos Estudos Internacionais e do Desenvolvimento, em Genebra. O autor agradece a Tom Biersteker, Farzan Sabet e Sue Eckert pelas contribuições às ideias aqui expostas, e a Matias Spektor e Bruno de Marco Lopes pelos comentários a versões anteriores do texto. O autor agradece também o apoio do Centro de Relações Inter- nacionais da Fundação Getulio Vargas, da The William and Flora Hewlett Foundation, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Pandiá Calógeras (Ministério da Defesa). In July 2015, the Security Council unanimously approved a resolution that might end a decade of confrontation between Iran and the collective security system. Resolution 2231 results from the long negotiation process between Iran and the E3+3 over the former’s nuclear programme. This article considers the extent to which economic sanctions facilitated an agreement after an entire decade of failed attempts. It argues that while sanctions had profound impacts on Iran’s economy, they cannot be considered responsible for the success of negotiations. These have resulted chiefly from domestic political transformations in both Iran and the United States, which expanded the zone of possible agreement of both sides. Sanctions were only effective to the extent that they were subordinated to a political and diplomatic process that prioritised reaching an agreement over marginal political preferences.