■■ Introdução Dois anos após as mobilizações que sacudiram o Brasil em junho de 2013, vários são os balanços realizados no campo intelectual, na política e na sociedade brasileira. Se deixarmos de lado as poucas vozes e visões mais nu- ançadas, pode-se dizer, de forma mui- to geral, que duas leituras principais Junho de 2013… dois anos depois Polarização, impactos e reconfiguração do ativismo no Brasil Breno Bringel / geoffrey Pleyers Sejam de direita ou de esquerda, as mobilizações que sacudiram o Brasil em 2013 e 2015 compartilham algumas formas de expressão, ação e organização comuns a muitos movimentos contemporâneos. Estão associadas a uma nova «geopolítica da indignação global». O artigo analisa a fundo as manifestações, deixando de lado as leituras nuançadas da mídia e da academia. Argumenta que as mobilizações massivas de Junho de 2013 produziram uma abertura societária no Brasil. Emergiram novos espaços e atores que levaram a um aumento da conflitualidade no espaço público e a um questionamento dos códigos, sujeitos e ações tradicionais que primaram no país durante as últimas duas décadas. As mobilizações de massa são menos controladas por organizações sociais e políticas, difundidas e reproduzidas de forma viral, sob uma lógica que abre um maior espaço para os indivíduos. CONJUNTURA Breno Bringel: professor adjunto do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (iesp-uerj). É editor de Dados – Revista de Ciências Sociais e coeditor (com Geoffrey Pleyers) de openMovements, um projeto de openDemocracy. Seu último livro, editado com José Maurício Domingues, é Global Modernity and Social Contestation (Sage, Londres, 2015). E-mail: <brenobringel@iesp.uerj.br>. Geoffrey Pleyers: professor da Universidade de Louvain (Bélgica) e pesquisador do Collège d’Etudes Mondiales de Paris. É presidente do Research Committee on Social Classes and Social Movements da Associação Internacional de Sociologia. Coordenou, com Breno Bringel, a com- pilação Les mobilisations de 2013 au Brésil (Brésil(s): Sciences Humaines et Sociales, ehess, Paris, 2015). E-mail: <Geoffrey.Pleyers@uclouvain.be>. Palavras-chave: ativismo social, Junho de 2013, mobilizações, política, Brasil. Nota dos autores: Devemos o título principal do artigo a Zé Szwako, cuja sugestão serviu, ademais, para a organização de um Seminário com título homônimo em junho de 2015 no iesp-uerj (os ví- deos do encontro estão disponíveis em <www.iesp.uerj.br/coloquio-jornadas-de-junho-dois-anos- depois/>). Agradecemos aos colegas participantes pelo debate e aos membros do Núcleo de Estudos de Teoria Social e América Latina (netsal) e do Research Committee on Social Classes and Social Movements da Associação Internacional de Sociologia pelo diálogo e pela construção coletiva. Este artigo é cópia fiel do publicado na revista NUEVA SOCIEDAD especial em português, outubro de 2015, ISSN: 0251-3552, <www.nuso.org>.