Medicina Familiar Incontinência Urinária Feminina Francisco Botelho*; Carlos Silva**; Francisco Cruz*** * Interno Complementar ** Assistente Hospitalar *** Director do Serviço Serviço de Urologia do Hospital de S. João / Faculdade de Medicina do Porto Definição e Epidemiologia Incontinência urinária é a perda involuntária de urina . A incidência da incontinência urinária na mulher aumenta com a idade, atingindo 25% após a meno- pausa. É uma das novas “epidemias” do século XXI agra- vada pelo contínuo aumento da esperança média de vida, sendo mais frequente nas mulheres. Nos lares a prevalência de incontinência urinária em mulheres é superior a 50% . Apesar das perdas involuntárias de urina interferirem de forma devastadora na qualidade de vida das doentes, a incontinência urinária feminina continua a ser “sub-diagnosticada” e “sub-tratada”. Esti- ma-se que apenas uma em cada quatro mulheres sintomáticas procura ajuda médica, já que é considerada de forma errónea uma consequência natural da idade, sem tratamento eficaz sendo por isso uma “epidemia silenciosa” . As morbilidades associadas à incontinência urinária incluem prolongamento de internamentos, infecções do tracto urinário, complicações devido ao uso prolongado de cateteres uretrais e as dermatites de contacto, sendo também um importante motivo para admissão de idosos em lares. Os factores de risco mais importantes são os partos, nomeadamente por via vaginal, não conferindo a episio- tomia protecção adequada. A cirurgia pélvica extensa e outros traumas na região pélvica assim como a obesi- dade e obstipação constituem outros factores de risco com menor impacto. 1 2 3 Tipos de incontinência A perda de urina pode ocorrer de forma transitória, geralmente associada a infecções urinárias, diabetes descompensada, uso de determinados fármacos (como os diuréticos, bloqueadores adrenérgicos , inibidores da enzima de conversão da angiotensina que podem provocar tosse, benziodiazepinas ou outros neuroléti- cos), consumo de álcool ou cafeína, distúrbios emocio- nais ou a obstipação. Este tipo de incontinência urinária melhora após o tratamento da causa subjacente. No entanto para a larga maioria das mulheres a incontinência urinária manifesta-se como uma doença crónica de início gradual mas com agravamento progres- sivo. Existem vários tipos de incontinência urinária sen- do as mais frequentes na mulher a ,a ea . Na incontinência urinária de esforço a mulher perde urina involuntariamente quando aumenta a pressão in- tra-abdominal em actividades como tossir, rir, levantar objectos ou fazer esforço físico. Há uma associação nítida entre os esforços e as perdas de urina. O pro- blema nestes casos é que a pressão intra-vesical ultra- passa a pressão uretral, originando perda de urina. Para a sua fisiopatologia contribuem em graus variáveis de im- portância a hipermobilidade do colo vesical (secundária a um suporte anatómico pélvico fragilizado) e uma deficiência intrínseca do esfíncter urinário. A incontinência urinária por imperiosidade é uma das formas de apresentação da Síndrome da Bexiga α incontinência uri- nária de esforço incontinência urinária por im- periosidade incontinência urinária mista 79 Acta Urológica 2007, 24; 1: 79-82 www.apurologia.pt