1 Tradição, modernidade e crise nas transições para o mundo do trabalho: persistências e transformações entre os jovens açorianos Fernando Diogo, Osvaldo Silva, Ana Cristina Palos (CICS.NOVA e UAc) INTRODUÇÃO: CONTEXTOS DO ACESSO JUVENIL AO TRABALHO Desde os anos 80 que nas sociedades ocidentais se verifica um conjunto de transformações sociais que tem tido várias consequências. Alguns autores chegam mesmo a designar estas transformações como uma mudança no próprio regime capitalista (Castel, 2009:13, Kóvacs, 2013:3), dada a sua amplitude. Um efeito importante dessas transformações respeita ao aumento das desigualdades de distribuição de rendimento, às quais estão associadas mudanças na relação com o trabalho (Beck, 2005:140, OCDE, 2011, OCDE, 2012:187, 190, Piketty e Saez, 2014:838), em especial a instalação do desemprego de massas e a desregulação do emprego com o crescimento da precariedade (Kóvacs, 2005:1, 2013:2,Castel, 2009:54). Este último fator não é, para Portugal, algo novo, a precariedade no emprego sempre afetou as categoriais sociais mais despossuídas, dada a fraqueza do estado português na imposição da regulação laboral. O que é novo é o contágio da precariedade às classes médias em anos mais recentes (Diogo, 2012), especialmente entre os jovens (Guerreiro, Cantante, & Barroso, 2009: 52). As gerações mais velhas estão relativamente protegidas deste processo de instalação do desemprego de massas e de precarização dos vínculos, sendo que é entre os jovens que estes fenómenos mais efeito têm tido em Portugal e no exterior (Guerreiro e Abrantes, 2007; Alves et al., 2011; Oliveira et al., 2011:35 e 2013; Kóvacs, 2013:5; Lobo, Ferreira, & Rowland, 2015:3). Mas a relação dos mais novos com o mundo do trabalho complexifica-se para além do desemprego e de precarização do emprego. Encontramos entre estes a