Representações do agir publicitário: o papel das instâncias enunciativas como expressão da agentividade Rosalice Pinto & Carla Teixeira Fundação para a Ciência e a Tecnologia Centro de Linguística da Universidade Nova de Lisboa Abstract: This paper focuses on the analysis of the role of some agentive instances in text genre advertisements. This study, based on the framework of Socio-discursive Interactionism, proposes that the traditional studies of enunciation are not sufficient to describe these linguistic mechanisms. Furthermore, the study aims at demonstrating that depending on the acting and social practices concerning the role of these agents, they can be described differently in these text genres. According to different activities linked to these genres, one can imagine the existence of different levels of actanciality. Palavras-chave: Interacionismo sociodiscursivo, géneros textuais, instâncias enunciativas, instâncias agentivas, níveis de actancialidade. Key words: Socio-discursive Interactionism, text genres, enunciative instances, agentive instances, levels of actanciality. 1. Introdução O propósito deste trabalho é refletir sobre a problemática da enunciação, tendo subjacente a perspectiva interacionista-discursivo-social, desenvolvida por Bronckart (2003: 319-36) e aprofundada por pesquisas de estudiosos de universidades brasileiras, argentinas e portuguesas 1 . Num primeiro momento, este autor refere-se à existência de mecanismos de responsabilização enunciativa (vozes e modalizações), constrangidos tanto por atividades sociais e géneros textuais quanto por operações psico-cognitivas associadas. Já num segundo momento, a partir de dados empíricos recolhidos em ambientes de trabalho variados, Bronckart centra-se no estudo das formas de intervenção orientadas de um ou vários humanos no mundo – o agir (Bronckart, 2008a: 120), referindo-se à existência de um actante que corresponde a qualquer indivíduo implicado no agir. Este actante pode ter um papel meramente de agente ou de ator quando implicado no agir. Embora tanto o agente quanto o ator sejam fontes de determinado processo do agir, o que os diferencia é o facto do segundo deter, nas suas ações, capacidades, motivos e intenções; já o primeiro não apresenta estas mesmas propriedades. 1 Referimo-nos aqui a trabalhos desenvolvidos, por exemplo, por Coutinho, Pinto, Teixeira, Leal & Caldes (2009), para o português europeu; Miranda (2008) para o espanhol e Machado & Bronckart (2009) para o português do Brasil.