Informações Econômicas, SP, v. 42, n. 6, nov./dez. 2012. COMPETITIVIDADE DA BOVINOCULTURA DE CORTE NO ESTADO DE GOIÁS 1 Glaucia Rosalina Machado 2 Alcido Elenor Wander 3 Reginaldo Santana Figueiredo 4 1 - INTRODUÇÃO 1234 A pecuária goiana ocupa hoje um lugar de destaque na economia e no comércio nacional e internacional (SEGPLAN/IMG, 2012). No ano 2000, o Estado de Goiás possuía um rebanho de 18,4 milhões de cabeças e apresentou uma par- ticipação de 10,83% do total do rebanho brasilei- ro, de 169,9 milhões de cabeças. No ano de 2010, o Estado apresentou um rebanho de 21,3 milhões de cabeças, com uma participação de 10,19% do total do rebanho brasileiro, e cresci- mento de 16,03% no período de 2000 a 2010, segundo dados da Secretaria de Estado de Ges- tão e Planejamento (SEGPLAN/IMG, 2012). O abate de bovinos em Goiás cresceu a uma taxa de 27,68% no mesmo período, sendo que no ano de 2000 foram abatidas 2,05 milhões de cabeças, passando para 2,6 milhões em 2010, ocupando a quarta posição no ranking das unidades da federação (SEGPLAN/IMG, 2012). Sobre as exportações de carne bovi- na, é possível verificar o grande avanço do Es- tado de Goiás rumo à inserção no mercado internacional. Em 2000, foi exportado 36.661.664 (US$ FOB), passando para 662.501.902 (US$ FOB) em 2011. A variação percentual foi de 1.707%, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Co- mércio Exterior (MDIC/SECEX, 2012). Esse crescimento tem contribuído para o superávit da balança comercial goiana, além de trazer ga- 1 Artigo extraído da dissertação de mestrado da primeira autora, defendida em março de 2011 pela UFG. Registra- do no CCTC, IE-53/2012. 2 Graduada em Administração, Mestre, Professora Tutora do ensino à distância do curso de Administração da UFG (EAD/UFG) (e-mail: glauciaagroufg@gmail.com). 3 Engenheiro Agrônomo, Doutor, Pesquisador, Supervisor do Setor de Implementação de Transferência de Tecnolo- gia Embrapa Arroz e Feijão (e-mail: awander@cnpaf. embrapa.br). 4 Engenheiro de Materiais, Pós-doutor, Professor Adjunto quatro da UFG (e-mail: emaildesantana@gmail.com). nhos competitivos para toda a cadeia. Nos últimos anos, várias transforma- ções vêm ocorrendo na economia brasileira e goiana, principalmente após a década de 1990. Com isso, novas competências e atitudes são necessárias por parte dos agentes econômicos, tendo em vista a necessidade de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado (SILVA; BATALHA, 2000). Dentre essas transformações observam-se mudanças no comportamento dos consumidores (internos e, principalmente, do mercado externo), que au- mentaram suas exigências com relação à segu- rança do alimento, questões de rastreabilidade e o aumento da preocupação com produtos geneti- camente modificados. Tais exigências acabam por ditar o funcionamento da produção pecuária, orientando as suas ações para o atendimento desses dese- jos e necessidades. A competitividade do seg- mento produção pecuária pode ser determinada por variáveis do próprio segmento, pelas transa- ções realizadas entre os segmentos da cadeia (fornecedores de insumos, produção pecuária, abatedouros, abatedouros frigoríficos, distribuição e consumo), bem como pelos condicionantes dos ambientes institucional e organizacional. Desse modo, apresentam-se os seguintes questiona- mentos: quais são as principais características da produção pecuária goiana? Como se encontra a competitividade da produção pecuária goiana? Quais os fatores que contribuem de forma positi- va e quais impedem a competitividade da produ- ção pecuária? Este trabalho teve como objetivo anali- sar a competitividade do segmento da produção pecuária do Estado de Goiás. 2 - REFERENCIAL TEÓRICO Apesar de o termo competitividade ser bastante utilizado na literatura recente e aparen- temente trivial, para vários autores a sua con-