Informações Econômicas, SP, v. 45, n. 1, jan./fev. 2015. PESQUISA DE PARTICIPAÇÃO DAS MARCAS DE ARROZ COMERCIALIZADAS EM MATO GROSSO: uma análise indicativa de mudanças na cadeia produtiva do arroz 1 Michela Okada Chaves 2 Eliane Maria Forte Daltro 3 Maria Luiza Perez Villar 4 Carlos Martins Santiago 5 Carlos Magri Ferreira 6 1 - INTRODUÇÃO 1 2 3 4 5 6 O arroz é um dos cereais mais consu- midos no mundo. A média de produção no Brasil, entre 2013 e 2014, foi de 12 milhões de tonela- das de arroz, sendo o Estado do Rio Grande do Sul responsável por 68% dessa produção (IBGE, 2014). O Mato Grosso é um dos principais Esta- dos produtores do cereal, produzindo acima da quantidade demandada pelo mercado local e com boa qualidade de grãos, situação que permi- te que as empresas de beneficiamento e empa- cotamento tenham um bom desempenho no mercado. No entanto, essas empresas ainda não consolidaram um mercado definitivo de destino para a produção excedente, ocorrendo variações a cada ano (PLANETA ARROZ, 2014). Esse panorama era bem diferente em 2005. Nesse ano o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE-MT) foi procurado pelo Sindicato das Indústrias da Ali- mentação de Rondonópolis e Região Sul de Mato Grosso (SIAR-SUL), em busca de suporte técnico para a agroindústria arrozeira da região Sul do Estado, que enfrentava dificuldades para manter- 1 Registrado no CCTC, IE-47/2014. 2 Engenheira de Alimentos, Mestre, Empresa Brasilieira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Arroz e Feijão) (e-mail: michela.chaves@embrapa.br). 3 Engenheira Agrônoma, Doutora, Empaer-MT (e-mail: elia- nedaltro@gmail.com). 4 Engenheira Agrônoma, Doutora, Empaer-MT (e-mail: ma- rialuizaperezvillar@yahoo.com.br). 5 Administrador, Mestre, Embrapa Cocais (e-mail: carlos. santiago@embrapa.br). 6 Engenheiro Agrônomo, Doutor, Embrapa Arroz e Feijão (e-mail: carlos. magri@embrapa.br). se competitiva. Várias empresas haviam encer- rado suas atividades e outras enfrentavam sérios obstáculos para se manter no mercado. Essa situação prejudicava os empresários e a socie- dade local, devido ao fechamento de postos de trabalho, redução da atividade econômica e dimi- nuição da oferta de produtos derivados do arroz, como farelo e casca, que eram comercializados diretamente aos consumidores ou como matéria- -prima para outras indústrias. Além disso, o fun- cionamento parcial das indústrias também atingia os produtores rurais que, por falta de garantia de mercado, sentiam-se inseguros com o futuro do cultivo do arroz. De acordo com Ferreira (2006), em 2006, a estimativa dos empresários era que as marcas locais representavam de 50% a 60% do mercado varejista de arroz no estado. No entan- to, a qualidade de grão era considerada inferior às marcas envasadas em outros estados da Fe- deração. Além disso, a presença das marcas ma- togrossenses nas gôndolas era instável, devido à dificuldade em se obter matéria-prima de quali- dade. Consequentemente, as marcas que deti- nham maior reconhecimento associado à quali- dade eram as envasadas em outros estados. Visando reverter essa situação, a partir de 2005, foi iniciado um esforço conjunto do SIAR- SUL, o SEBRAE-MT e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), visando a sustentabilidade da cadeia produtiva do arroz no Mato Grosso. Nos anos seguintes, ocorre a en- trada do Sindicato Estadual das Indústrias de Arroz no Estado de Mato Grosso (SINDARROZ) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural S/A (EMPAER- MT), com o apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Mato Grosso