* Artigo publicado em Estudos - Agricultura e Sociedade (Cpda- UFRRJ), v. 11, p. 134-163, 1998 “CULTURA ESGOTADORA”: AGRICULTURA E DESTRUIÇÃO AMBIENTAL NAS ÚLTIMAS DÉCADAS DO BRASIL MONÁRQUICO José Augusto Pádua “Há 375 anos que uma cultura rotineira e esgotadora, arvorando em sistema de produção o machado e o facho, a derrubada e a coivara, arranca das férteis terras brasileiras os elementos de grandeza e prosperidade de futuras gerações” Nicolau Moreira (1875: 6) “E assim como o escravo tem que desaparecer da lavoura do Brasil, para dar lugar ao trabalho livre, a derrubada, o fogo, a encoivaração hão de ser substituídas pelo arado e pela grade; a incineração resultante da queima por outros meios de estrumar a terra; a lavoura extensiva pela intensiva; a grande pela pequena propriedade” Nicolau Moreira (1884: 140) I Em meados da década de setenta do século passado, após um período razoavelmente longo de crescimento continuo da grande lavoura de exportação, que confundiu-se com a expansão do café pelas serras e vales do interior da província do Rio de Janeiro, começaram a aparecer sinais evidentes de que a agricultura brasileira estava vivendo uma crise profunda. Uma atmosfera de temor quanto ao futuro disseminou-se entre políticos, proprietários e publicistas, pois o edifício social e político da monarquia