XII Seminário da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo 30 de setembro a 02 de outubro de 2015 Natal/RN Copa do Mundo FIFA 2014: análise dos impactos percebidos pelos residentes Glauber Eduardo de Oliveira Santos 1 Alexandre Panosso Netto 2 Manuel Alector Ribeiro 3 Resumo: As percepções dos residentes sobre os impactos de megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo FIFA, constituem um aspecto fundamental para o sucesso desses projetos. Os impactos percebidos podem influenciar a atuação dos residentes como trabalhadores dos setores econômicos envolvidos, a hospitalidade dos moradores em relação aos turistas, as manifestações públicas, a votação nas eleições e a coesão social, dentre outros comportamentos sociais relevantes. Reconhecendo a importância do tema, o presente estudo tem como objetivo analisar os impactos da Copa do Mundo FIFA de 2014 percebidos pelos residentes do Brasil. A análise foi desenvolvida a partir de uma amostra de 3786 entrevistas realizadas nas doze cidades-sede de jogos da Copa. Os resultados mostraram como diferentes tipos de impactos específicos foram sentidos em cada uma das doze cidades. O estudo mostrou também que indivíduos pessoalmente interessados no evento perceberam maiores impactos positivos e menores impactos negativos. Outra conclusão foi de que os indivíduos menos escolarizados ou com menor nível de renda perceberam maiores impactos sociais e ambientais, ao passo que os impactos econômicos e urbanos foram percebidos da mesma forma pelos indivíduos de todas as faixas de escolaridade e renda. Por fim, concluiu- se também que todos os impactos específicos contribuem para a formação do saldo percebido dos impactos totais, exceto os impactos ambientais positivos. Palavras-chave: Megaeventos. Copa do Mundo de Futebol. Impactos. Comunidade receptora. Brasil. Introdução A Copa do Mundo FIFA é um evento esportivo de grandes proporções cujos efeitos são observados em diferentes domínios. Dentre os múltiplos impactos desse evento destacam-se aqueles de natureza econômica (Allmers & Maennig, 2009; Baade & Matheson, 2004; Bohlmann & Van Heerden, 2008; Choong-Ki & Taylor, 2005), social (Gibson et al., 2014; Ohmann, Jones, & Wilkes, 2006), urbanística (Pillay & Bass, 2008; Pillay, Tomlinson, & Bass, 2009; Steinbrink, Haferburg, & 1 Doutor em Economia do Turismo pela Universidade das Ilhas Baleares (UIB). Bacharel em Turismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e do programa de Pós-Graduação em Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). E-mail: glaubereduardo@gmail.com 2 Livre-docente pela EACH-USP. Licenciado em Filosofia e Bacharel em Turismo pela Universidade Católica Dom Bosco- UCDB. Professor da EACH-USP. E-mail: panosso@usp.br 3 Doutorando em Turismo pela Universidade do Algarve, Portugal. E-mail: alector.ribeiro@gmail.com