A INFLUÊNCIA DAS BRISAS MARÍTIMA E TERRESTRE NA GÊNESE DAS CHUVAS NO TRANSECTO CUBATÃO-SÃO PAULO (SP) Gustavo ARMANI 1 , Renato TAVARES 1 , Bárbara Nazaré ROCHA 2 RESUMO Este artigo tem como objetivo detectar a influência das brisas marítima e terrestre na gênese das chuvas no transecto Cubatão-São Paulo, a partir de dados horários de chuva de 7 estações meteorológicas. Há um nítido ritmo médio horário que revela que as brisas (terrestre e marítima) têm um importante papel na gênese das chuvas, aliada à topografia da área investigada. Enquanto a brisa terrestre produz uma redução dos totais (menos de 60mm) e freqüência das chuvas (7 a 17%), a marítima produz um incremento nos totais (mais de 120mm) e na freqüência (cerca de 30%). ABSTRACT The purpose of this work is to analyze the influence of sea and land breeze in rainy genesis in a transect between Cubatão and São Paulo, by using hour data of 7 meteorological stations. The results showed a well-defined hour rhythm, which reveals that breeze circulation plays important role on rainy genesis, associated with the relief. Land breeze circulation reduces the pluvial total (less than 60mm per hour) and frequency (7 to 17%), while sea breeze increases the total (more than 120mm per hour) and frequency (about 30%). Palavras-chave: brisa marítima, brisa terrestre, chuva. INTRODUÇÃO Existem vários estudos sobre a brisa marítima e sua importância para o conforto térmico, como agente transportador de massa e umidade na atmosfera, como agente dispersor de poluentes, ou como um dos condicionantes de episódios pluviais intensos (SANTOS, 1965; AZEVEDO, 2002; JORGETTI et al , 2002; FREITAS & SILVA DIAS, 2002; FREITAS & SILVA DIAS, 2004; PEREIRA FILHO et al , 2002, FREITAS et al , 2004; SOUZA & SANTOS, 2004). Santos (1965) realizou um exaustivo trabalho de coleta de informações verbais com os moradores da Baixada Santista, sendo que nestes relatos a brisa marítima (“ viração ”) era retratada como um fator de conforto térmico para a população local. Segundo ela, a importância da alternância cotidiana e regular das brisas marítima e terrestre é muito relevante pelo seu papel “fisiológico”, atuando no conforto térmico e como agente morfológico na elaboração das dunas do litoral. Em relação à gênese pluvial, Santos ( op. cit ) ainda argumenta que a umidade presente na brisa marítima é tamanha que, ao se deparar com a serra do Mar, a chuva que se precipita sobre esta é considerável, a ponto de que tal fato foi interpretado pela a autora como uma frontogênese. Evidentemente os mecanismos frontológicos ocorrem em escala espacial e temporal maior do que o apresentado por ela naquele trabalho, mas o que realmente importa é o significado que a interação da brisa marítima tem com a serra do Mar, a ponto de conduzir a tal interpretação. 1 Pesquisadores, Instituto Geológico – SMA, Av. Miguel Stéfano, 3900, São Paulo (SP) 04301-903; gustavo@igeologico.sp.gov.br 2 Estagiária, Instituto Geológico – SMA; e aluna de graduação, Departamento de Geografia / FFLCH / USP.