rev assoc med bras. 2013; 59(3) :258–264 Revista da ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA www.ramb.org.br Artigo original Tromboprofilaxia venosa em pacientes clínicos: análise de sua aplicac ¸ão Mariana Nassif Kerbauy a , Fabio Ynoe de Moraes b,* , Lucila Nassif Kerbauy c , Lucieni de Oliveira Conterno d e Silene El-Fakhouri e a Departamento de Clínica Médica, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil b Departamento de Radioterapia, Centro de Oncologia, Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil c Departamento de Hematologia e Hemoterapia, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil d Núcleo de Epidemiologia Clínica, Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), Marília, SP, Brasil e Disciplina de Medicina Intensiva, FAMEMA, Marília, SP, Brasil informações sobre o artigo Histórico do artigo: Recebido em 12 de setembro de 2012 Aceito em 4 de novembro de 2012 On-line em 13 de maio de 2013 Palavras-chave: Fatores de risco Fidelidade a diretrizes Heparina Profilaxia Tromboembolismo venoso resumo Objetivo: A tromboprofilaxia de rotina, a despeito de sua efetividade estar bem estabelecida e o tromboembolismo venoso ser uma condic ¸ão potencialmente evitável, não se apresenta completamente consolidada na prática clínica. Os objetivos do presente estudo são: 1. Deter- minar a frequência da utilizac ¸ão da tromboprofilaxia e presenc ¸a dos fatores de risco para tromboembolismo; 2. Verificar a adequac ¸ ão de sua utilizac ¸ ão em pacientes clínicos interna- dos, assumindo como parâmetro uma diretriz nacional estabelecida. Métodos: Estudo retrospectivo transversal envolvendo pacientes internados por doenc ¸ as clí- nicas em uma enfermaria geral de adultos de um hospital universitário. A análise foi baseada em diretriz definida. Resultados: Foram incluídos 146 pacientes para análise. Destes, 94,5% possuíam pelo menos um fator de risco para tromboembolismo venoso. Em 130 (89%) pacientes havia indicac ¸ão para uso de heparina profilática, sendo que em 73,3% dos casos estava prescrito algum tipo de heparina. Quanto à adequac ¸ão da profilaxia, 53,4% das prescric ¸ões estavam corretas em relac ¸ ão à indicac ¸ão e à dose da profilaxia; 24% apresentavam dose ou frequência incorretas; 19,2% não tinham prescric ¸ ão de profilaxia, apesar de ela ser indicada; e em cinco casos (3,4%) o fármaco foi prescrito, apesar de não haver indicac ¸ ão. Conclusão: Existe subutilizac ¸ão da tromboprofilaxia nesta populac ¸ão, com inadequada dose prescrita em 50% dos casos. Portanto, estudos e intervenc ¸ões futuros devem incluir um pro- grama educacional que se inicie desde o atendimento em pronto-socorro, sendo essencial para aproximar a evidência à prática clínica. © 2013 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. Trabalho realizado no Departamento de Medicina Intensiva e Núcleo de Epidemiologia Clínica da Faculdade de Medicina de Marília. Marília, SP, Brasil. Autor para correspondência: Rua Cubatão, 1001, Vila Mariana, São Paulo, SP, 04013-043, Brasil. E-mail: fymoraes@gmail.com (F.Y. Moraes). 0104-4230/$ – see front matter © 2013 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. http://dx.doi.org/10.1016/j.ramb.2012.11.008