!" !# $%&"% ’# $%&"% ’# ( $"% ’# $"% # $"% !# ’ $%)"% *#+# + $%)"% +## $%)" ,# - $%)" (1) Faculdade de Ciências Universidade do Porto, R. Campo Alegre s/n, 4169"007 Porto, (2) CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, Rua dos Bragas 289, 4050"123 Porto (3) CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto, Edifício FC4, Rua do Campo Alegre, S/N, 4169"007 Porto, Portugal !./: SIG, Ordenamento do Território, Zonas Costeiras, Litoral de Matosinhos, Conservação da Biodiversidade (0 Governança, planeamento e ordenamento das zonas costeiras *123 A Costa Atlântica do Norte de Portugal constitui um importante corredor migratório para aves e possui uma assinalável diversidade botânica e de habitats. Os principais instrumentos de ordenamento do território em vigor para as zonas costeiras portuguesas, nomeadamente os POOC e a ENGIZC, pugnam por um conjunto de medidas relativas ao bom uso dos ecossistemas, à sua conservação e uso sustentável. Também o Plano Diretor Municipal de Matosinhos aponta algumas medidas no mesmo sentido. Assim, o município de Matosinhos e a Universidade do Porto reuniram esforços no sentido de operacionalizar essas medidas, tendo como principais objectivos: (1) delimitar uma faixa de intervenção no litoral de Matosinhos, constituída principalmente por praias rochosas e arenosas, à qual se adicionaram os troços finais das principais ribeiras e o terreno agro"florestal a elas adjacente; (2) cartografar no terreno, e através de ferramentas SIG, os diferentes tipos de habitats; (3) efetuar uma caracterização dos biota, compreendendo habitats, fauna e flora; (4) aplicar um sistema de valoração integrada com base em informação de habitats, flora, fauna intertidal, fauna subtidal, aves, mamíferos, répteis e anfíbios; (5) utilizar ferramentas SIG para obter cartas de valor; e (6) efetuar, com base nas cartas obtidas, uma análise interpretativa dos valores presentes e identificar prioridades e opções de intervenção. A metodologia de cartografia e caracterização de habitats e flora foi baseada na desenvolvida pelo projecto europeu EBONE, a qual se encontra detalhadamente descrita em Bunce (2011). Esta metodologia apoia"se na cartografia de Categorias Gerais de Habitat (GHCs), que são usadas como a estrutura primária para registar ecossistemas/habitats. Os GHCs são baseados nas formas de vida das plantas dominantes, com informação adicional detalhada acerca do ambiente, gestão e composição das parcelas de habitat. Existem ainda GHCs não baseados nas formas de vida (quando a vegetação é escassa ou está ausente, e.g. urbano, planos de água, rochedos). A metodologia usada para a valoração de habitats e flora foi aplicada utilizando as unidades identificadas (GHCs). Uma vez que os GHCs podem conter diversas espécies com valor para conservação e até mesmo diversos habitats, o valor atribuído correspondeu à espécie ou habitat com valor singular mais elevado. Os critérios utilizados para a valoração de habitats foram a raridade, a naturalidade, o grau de ameaça e a singularidade. De um modo geral, a avaliação foi realizada através das seguintes etapas: (1) para cada critério foi atribuído um valor a cada parcela com base na bibliografia consultada e no conhecimento de especialistas relativo às espécies/habitats identificados; (2) foi obtido um valor para cada unidade cartografada, correspondente à média dos diferentes critérios; e (3) de modo a que os resultados pudessem ser comparados com os valores da fauna, procedeu"se a uma normalização final da escala para valores entre 1 e 5. No caso da valoração da fauna, os critérios variaram com o grupo/habitat em análise. Para as espécies associadas ao intertidal rochoso, a valoração foi feita com base em índices: (1) a riqueza específica; (2) a equitabilidade ; e (3) a diversidade. Foi obtido um valor único para cada praia através da divisão do valor dos índices em 5 classes e da soma