Revista da Associação Portuguesa de Análise Experimental de Tensões ISSN 1646-7078 Mecânica Experimental, 2010, Vol 18, Pg 23-34 23 NOVAS PERSPECTIVAS NA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DINÂMICO DE ESTRUTURAS E. Caetano, A. Cunha, F. Magalhães Universidade do Porto, Faculdade de Engenharia (FEUP), Departamento de Engenharia Civil Laboratório de Vibrações e Monitorização (ViBest, www.fe.up.pt/vibest ) RESUMO Centrando-se no estudo do comportamento dinâmico de estruturas do âmbito da Engenharia Civil, o presente trabalho descreve alguns dos desenvolvimentos mais relevantes no contexto da instrumentação, ensaio e monitorização, discutindo as correspondentes repercussões em termos das técnicas utilizadas e do conhecimento do comportamento dinâmico estrutural. 1 - INTRODUÇÃO A análise experimental de tensões estabeleceu-se como área de investigação na década de 40 do século passado, após a introdução dos extensómetros eléctricos (Sabnis et al. 1983). Os primeiros ensaios realizados tinham por base modelos físicos de estruturas complexas construídos à escala, para as quais não era possível utili- zar modelos analíticos descritivos do com- portamento. Nesse contexto, surgiram na Europa diferentes laboratórios de investi- gação. Em Portugal, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, LNEC, estabeleceu-se como um reputado centro de ensaios, desenvolvendo instrumentação, técnicas de construção de modelos físicos e métodos de observação. A conjugação dos resultados de observação em modelo físico com resulta- dos da modelação numérica introduzida nas décadas de 60 e 70 possibilitou o avanço do conhecimento do comportamento estrutural e permitiu a optimização da utilização dos materiais, que se traduziu em construções progressivamente mais esbeltas e também mais complexas. Em contrapartida, o imenso avanço introduzido com os computadores e técni- cas computacionais originou o progressivo abandono dos ensaios em modelo físico, dado o seu elevado custo e morosidade. Actualmente, estes ensaios são realizados apenas em áreas em que claramente existem dificuldades na caracterização numérica das acções e/ ou do comportamento estrutural, como é o caso da Engenharia do Vento, ou no caso de estruturas de grande complexi- dade (grandes pontes, barragens, edifícios especiais). A complexidade das estruturas construídas implica a caracterização, não apenas do comportamento dos materiais, mas também das condições fronteira, do estado de tensão e deformação, e ainda do comportamento dinâmico dos protótipos. Nesse sentido, e em paralelo com o desenvolvimento de ensaios em modelo físico e com a realização de análises numé- ricas progressivamente mais sofisticadas, tem havido lugar a um desenvolvimento da instrumentação para a observação de