A CAIXA DE VELOCIDADES DA CIDADE 1 Daniel Paiva, Filipe Matos, Herculano Cachinho daniel.paiva@campus.ul.pt; filipematos@campus.ul.pt; hc@campus.ul.pt Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa Resumo: A vida na cidade contemporânea é composta por uma multiplicidade de ritmos. Alguns lentos, outros rápidos, todos eles enredam vários significados simbólicos. Perceber como estes ritmos coexistem no quotidiano urbano é um passo a caminho de compreender como planear a cidade do Século XXI. O objectivo desta comunicação é apresentar construções conceptuais acerca do significado social do tempo e da poliritmicidade no espaço urbano. Este quadro conceptual será usado para desenvolver um modelo de análise para o projecto de investigação CHRONOTOPE – Time-space Planning for Resilient Cities. Palavras-chave: ritmanálise, tempo social, ritmos urbanos, tempo rápido, tempo lento THE CITY’S GEARBOX Abstract: Life in the contemporary city is composed by a multiplicity of rhythms. Some of these are slow, others are fast, and all of them entangle various symbolic meanings. To understand how these rhythms coexist in the urban everyday life is a step towards understanding how to plan the 21 st century city. The aim of this communication is to present conceptual constructions about the social meaning of time and the making of polyrhythmicity in urban space. This conceptual framework will be used to develop an analysis model for the research project CHRONOTOPE – Time-space Planning for Resilient Cities. Keywords: rhythmanalysis, social time, urban rhythms, fast time, slow time 1. NOTA INTRODUTÓRIA As cidades contemporâneas são locais onde a vida parece acelerar constantemente. Na literatura contemporânea, é recorrente a visão da economia da velocidade, com foco na crescente hipermobilidade de bens, pessoas e informação, criando uma compressão tempo-espaço, pelo aumento da velocidade e do alcance, em que o instantâneo se torna banal. Outras visões centram-se na forma como o tempo se tornou uma mercadoria, sendo um bem escasso e portanto altamente valioso. A nível social, a conciliação de tempos pessoais na idade do imediato torna-se cada vez mais difícil. Ainda assim, a aceleração do tempo não é um fenómeno que afecta todas as sociedades e toda a cidade da mesma forma e não se pode ainda afirmar uma completa aniquilação do espaço pelo tempo. A lentidão e o sentido de lugar subsistem nos interstícios da cidade contemporânea e são características fundamentais para uma verdadeira qualidade de vida. Recentemente, tem sido posto em evidência a necessidade de uma desaceleração e uma retradicionalização da vida quotidiana. 1 Cite as: Daniel Paiva, Filipe Matos, Herculano Cachinho. A Caixa de Velocidades da Cidade, XIII Colóquio Ibérico de Geografia - "Respuestas de la Geografía Ibérica a la crisis actual", ISBN: 978-84- 940469-7-1, pp. 721-731.