2005 International Nuclear Atlantic Conference - INAC 2005 Santos, SP, Brazil, August 28 to September 2, 2005 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA NUCLEAR - ABEN ISBN: 85-99141-01-5 LEVANTAMENTO DAS TAXAS DE SEDIMENTAÇÃO DO LITORAL DE SÃO PAULO A PARTIR DO TEOR DE CARBONATO DE CÁLCIO: UMA ALTERNATIVA AOS MÉTODOS RADIOMÉTRICOS Rubens C. L. Figueira (1) , Moysés G. Tessler (2) , Michel M. de Mahiques (2) , Marina M. M. Fukumoto (2) 1 Universidade Cruzeiro do Sul Centro de Tecnologia e Ciências Exatas Rua Dr. Ussiel Cirilo, 225 08090-060 – São Paulo, SP figueira@ipen.br ou figueiraru@yahoo.com.br 2 Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo Depto. de Oceanografia Geológica Pça. do Oceanográfico, 191 05508-900 – São Paulo, SP mgtessle@usp.br mahiques@usp.br marina@io.usp.br RESUMO Neste trabalho é apresentada uma metodologia de determinação de taxa de sedimentação a partir dos teores de carbonato de cálcio presente ao longo da coluna sedimentar. A técnica desenvolvida é uma alternativa aos métodos radiométricos nos quais são utilizados os radionuclídeos 210 Pb unsupported e 137 Cs. O método consiste na determinação de um evento cronológico ao longo da coluna sedimentar, neste trabalho dois eventos cronológicos foram utilizados: o maremoto (tsunami) ocorrido em 1542 na cidade de São Vicente e o máximo do fallout radioativo do 137 Cs na atmosfera, ocorrido entre 1963-65. A partir disso, foi possível calcular a taxa de acumulação total de sedimentos (ATS) e a taxa de precipitação do carbonato de cálcio (PCC), estes valores são necessários para datação da camada sedimentar e conseqüentemente da taxa de sedimentação. Os resultados obtidos mostraram-se bastantes satisfatórios na região da Plataforma Continental do Estado de São Paulo, cujos valores foram da ordem de 0,32(±0,12) cm.a -1 , 0,23(±0,08) cm.a -1 e 0,25(±0,09) cm.a -1 para as metodologias do carbonato de cálcio, do 210 Pb unsupported (modelo CIC) e do 137 Cs (fallout radioativo). O procedimento analítico mostrou-se bastante eficiente, rápido e de baixo custo. Porém, deve ser utilizado com bastante cautela, pois os resultados podem ser fortemente influenciados por fatores ambientais que alteram a taxa de precipitação do carbonato de cálcio, acarretando assim erros na interpretação do grau de sedimentação em determinada região. 1. INTRODUÇÃO Estudos sobre a utilização de traçadores radioativos e taxas de sedimentação baseados em radionuclídeos naturais, em especial o 210 Pb, têm sido considerados como importantes auxiliares na compreensão da dinâmica de aporte e dispersão de elementos provenientes de diversas fontes para os ambientes marinhos [1,2]. O primeiro trabalho utilizando o 210 Pb como traçador foi realizado por Goldberg [3] em estudos de acumulação de neve. Em diferentes localidades do mundo, este radionuclídeo é utilizado para determinação da taxa de sedimentação, cujos resultados permitem um conhecimento da dinâmica sedimentar de aproximadamente 150 anos. Outro importante radionuclídeo utilizado é o 14 C (t 1/2 = 5300 anos) que permite estudos em um nível temporal