270 Rev Bras Hipertens vol 10(4): outubro/dezembro de 2003 Nobre F, Geleilete TJM, Cardoso MCM, Coelho EB Associações fixas de drogas anti-hipertensivas: vantagens e desvantagens na prática clínica Fernando Nobre, Tufik José Magalhães Geleilete, Maria Camila Miranda Cardoso, Eduardo Barbosa Coelho Resumo O tratamento anti-hipertensivo, para alcançar os objetivos maiores representados por redução de morbidade e mortalidade, busca a redução da pressão arterial. Para alcançar-se a normalização da pressão arterial via de regra, são necessárias associações de medicamentos de diferentes classes terapêuticas. A utilização de medicamentos anti-hipertensivos em baixas doses concorre para uma menor ocorrência de efeitos adversos, já que os efeitos colaterais são, via de regra, dependentes das doses utilizadas. Assim, a utilização de associações fixas de anti- hipertensivos em baixas doses apresenta os benefícios de Palavras-chave: Tratamento da hipertensão arterial; Associação fixa de drogas anti-hipertensivas; Hipertensão arterial. Recebido: 13/09/03 – Aceito: 17/09/03 Rev Bras Hipertens 10: 270-276, 2003 Correspondência: Fernando Nobre Unidade Clínica de Hipertensão – Divisões de Cardiologia e Nefrologia Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Campus Universitário de Monte Alegre CEP 14048-900 – Ribeirão Preto, SP Tel.: (16) 602-2599 Fax: (16) 633-6899 E-mail: fernando.nobre@uol.com.br A despeito de outros benefícios esperados com o tratamento anti- hipertensivo, a redução da pressão arterial per se representa o grande objetivo a ser conseguido. Estudos têm demonstrado benefí- cios claros e incontestáveis relacio- nando a diminuição de morbidade e mortalidade com a redução da pressão arterial 1-3 . Desta forma, as mais re- centes diretrizes para o diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial 4-7 têm sugerido reduções da pressão arte- rial maiores que as usuais em pa- cientes sob tratamento. Embora não tenham sido demons- trados benefícios para reduções mais agressivas da pressão arterial nas populações em geral, estudos 8,9 têm evidenciado que, mesmo dentro de limites ainda considerados de nor- motensão, o aumento da pressão arterial concorre para maior probabi- lidade de risco de doenças cardiovas- culares. Os valores de pressão a serem re- comendados como metas em popu- uma maior probabilidade de controle efetivo da pressão arterial, uma vez que, se apropriadamente associados os princípios terapêuticos empregados, haverá uma poten- cialização de efeitos. A adesão ao tratamento, um grande desafio no trata- mento anti-hipertensivo, será maior com a utilização de uma única tomada diária em contrapartida à utilização de duas medicações. As possíveis associações fixas de medicamentos anti- hipertensivos em baixas doses, seus benefícios e as limi- tações no contexto do tratamento da hipertensão arterial sistêmica são discutidos objetivando a um melhor controle da pressão arterial.