Rev. bras. paleontol. 13(3):1-3, Setembro/Dezembro 2010
© 2010 by the Sociedade Brasileira de Paleontologia
doi:10.4072/rbp.2010.3.05
PROVAS
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PALINOESTRATIGRAFIA DA FORMAÇÃO ITAQUAQUECETUBA, BACIA DE
SÃO PAULO, BRASIL
ABSTRACT – ITAQUAQUECETUBA FORMATION PALYNOSTRATIGRAPHY, SÃO PAULO BASIN, BRAZIL. In
order to identify the palynofloristic associations and their respective guide-species from the Mine Itaquareia 1 outcropping beds,
in Itaquaquecetuba Formation (São Paulo sedimentary basin), 44 samples were analyzed, of which, 42 were collected along 10
columnar section and 2 of them immediately on the crystalline basement. The identification of the palynological associations
endorsed the establishment of paleoclimate prevailing at the time of sedimentation, while the determination of the guide species
aimed at defining the age of this lithostratigraphical unit. This age is very controversial in the literature, where is referred from the
Eocene to the Pleistocene. This study has identified two palynofloristic associations: one Late Eocene and the other Early
Oligocene. The first one is characterized by great diversity in palynoflora, especially, angiosperms, while the second, on the last
three samples from the top of the section showed a reduction in biodiversity of flowering plants and increased amount of
gymnosperms, especially, Dacrydiumites florinii. The Late Eocene palynofloristic associations suggested a subtropical to tropical
moist paleoclimatic conditions, while the reduction of biodiversity and the expansion of gymnosperms, which occurs in the
samples of the upper portion of the section, Early Oligocene in age, are evidence of colder weather in this period.
Key words: Paleogene, paleopalynology, Itaquaquecetuba Formation, Brazil.
RESUMO – Com o objetivo de identificar as associações palinoflorísticas e as respectivas espécies-guias nas camadas da
Formação Itaquaquecetuba, bacia sedimentar de São Paulo, aflorantes na Mineradora Itaquareia 1, analisaram-se 44 amos-
tras, das quais 42 foram coletadas ao longo de 10 seções colunares e 2 diretamente sobre o embasamento cristalino. A
identificação das associações palinológicas visou o estabelecimento do paleoclima reinante à época da sedimentação, en-
quanto a determinação das espécies-guias teve como objetivo definir a idade dessa unidade litoestratigráfica, uma vez que é
muito controversa na literatura, onde é referida desde o Eoceno até o Pleistoceno. Neste trabalho foram identificadas duas
associações palinoflorísticas: uma do Neoeoceno e outra do Eo-Oligoceno. A primeira é caracterizada por grande diversidade
na palinoflora, especialmente, angiospermas; enquanto a segunda, relativa às três últimas amostras do topo da seção,
mostrou redução na biodiversidade de angiospermas e aumento na quantidade de gimnospermas, em especial, Dacrydiumites
florinii. A associação palinológica do Neoeoceno evidenciou que a palinoflora presente corresponde a condições paleoclimáticas
subtropicais a tropicais úmidas; enquanto a redução da biodiversidade e a expansão das gimnospermas, que ocorre nas
amostras do Eo-Oligoceno, são evidências de condições climáticas mais frias neste período.
Palavras-chave: Paleógeno, palinoestratigrafia, Formação Itaquaquecetuba, Brasil.
DANIELI BENTO DOS SANTOS
Programa de Pós-graduação em Análise Geoambiental, UnG, Praça Tereza Cristina, Guarulhos, 07023-070, SP, Brasil.
danieli_bs@yahoo.com.br
MARIA JUDITE GARCIA, ANTONIO ROBERTO SAAD
Laboratório de Palinologia e Paleobotânica, CEPPE, UnG, Praça Tereza Cristina, Guarulhos, 07023-070, SP, Brasil.
mgarcia@ung.br, asaad@prof.ung.br
CARLOS ALBERTO BISTRICHI
PUC, Rua Monte Alegre, 964, São Paulo, 01303-050. cabistrichi@uol.com.br
INTRODUÇÃO
A Formação Itaquaquecetuba integra a bacia de São Paulo, que
faz parte de um sistema de bacias tafrogênicas denominadas por
Almeida (1976) “Sistema de Rifts da Serra do Mar”, e, posteriormen-
te, de “Rift Continental do Sudeste do Brasil - RCSB” por Riccomini
(1989). Essa unidade tem sido objeto de estudos de muitos pesqui-
sadores tanto sob o ponto de vista litoestratigráfico, sedimentológico
e tectônico, quanto paleontológico. Suguio (1971) e Bigarella
(1971) dataram troncos fósseis, pelo método
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C e obtiveram
idades situadas acima do limite máximo de aplicabilidade desse
método (40 ka). Trabalhos de cunho palinológico foram rea-
lizados por Melo et al. (1985, 1986), Lima et al. (1991),
Yamamoto (1995), Santos (2005) e Santos et al. (2006 a,b);
embora as interpretações sejam discordantes, os autores pro-
puseram idades que variam do Mesoeoceno ao Eomioceno.
Riccomini (1989) considerou a idade da Formação
Itaquaquecetuba como neógena, com base em argumentos