Minerva, 1(1): 51-58 MODELAGEM PCP NO AMBIENTE DE REDES DE COOPERAÇÃO 51 MODELAGEM DO PCP NO AMBIENTE DE REDES DE COOPERAÇÃO Juliano Borges de Freitas Fábio Müller Guerrini Escola de Engenharia de São Carlos Universidade de São Paulo Resumo Uma rede de cooperação entre empresas é definida como um grupo de empresas que interagem entre si pela troca de competências, de forma a atender a uma série de necessidades das empresas que seriam de difícil satisfação nos casos de estas atuarem isoladamente. O Planejamento e Controle da Produção possui importância de primeira grandeza tanto dentro da empresa industrial como da rede de cooperação, e, através da modelagem organizacional, pode-se observar as empresas com maior e melhor dimensão de entendimento, permitindo a integração dos seus componentes. Este artigo pretende demonstrar a importância de adequar o PCP ao ambiente de redes de cooperação entre empresas, uma vez que diversos recursos e competência são reunidos em uma rede e precisam ser diligenciados por um fluxo de informações. Palavras-chave: rede de empresas, planejamento e controle da produção (PCP), modelagem organizacional. Introdução As hierarquias tradicionais ainda estão sendo mantidas em muitas organizações, mas estão sendo abrandadas e transformadas em redes (Pine II, 1994). Abandonando a estrutura por funções, que foi a forma organizacional predominante nas empresas do século XX, as empresas estão organizando seus recursos e fluxos ao longo de seus processos básicos de operação (Gonçalves, 2000). O mundo de Adam Smith e a sua forma de fazer negócios estão se tornando paradigmas do passado (Hammer & Champy, 1994). Nesse sentido, as empresas enfrentam o desafio de reestruturar seus níveis hierárquicos em modelos mais enxutos e autônomos e se vêem com a necessidade de formar cooperações para cobrir sua deficiência em termos de recursos e conhecimento (Bremer & Corrêa, 1997). As organizações voltadas a processos produtivos estão sendo pressionadas a adotar novos conceitos diante da crescente competição global, da redução do ciclo de vida dos produtos e da customização em massa (Wiendahl & Höbis, 1998). Em decorrência da nova economia global caracterizada pela onda de novos concorrentes que usam novas tecnologias e capacidades de redução de custos, as empresas estão implementando novas estratégias. Dentre essas estratégias encontra-se a formação de redes entre empresas, uma prática que pretende garantir a sobrevivência e a competitividade, principalmente, das pequenas e médias empresas (Olave & Amato, 2001). Castells (1999) coloca a formação de redes entre empresas da seguinte forma: o modelo de redes multidirecionais posto em prática por empresas de pequeno e médio porte e o modelo de licenciamento e subcontratação de produção sob controle de uma grande empresa. Segundo Goulart (2000, p.2): “atualmente as empresas têm optado por cooperações e entre os fatos que impulsionam essa opção estão a concentração em competências essenciais e o desenvol- vimento de tecnologias de informação. As empresas, visando tornarem-se mais competitivas, estão focando os seus negócios em suas competências essenciais, precisando cooperar para complementar as competências necessárias, a fim de oferecer produtos ou soluções para o mercado”. A busca por competitividade nas empresas direciona cada vez mais para uma estrutura orientada a processos de negócios (Bremer & Lenza, 2000). Ver a organização em