CRESCIMENTO DE MUDAS DE CASTANHEIRA-DO-BRASIL (Bertholletia excelsa H. B. K.) EM FUNÇÃO DE DOSES DE CARVÃO VEGETAL COMO COMPONENTE DE SUBSTRATO. Maria Muniz Nunes (1) ; Wenceslau Geraldes Teixeira (2) (1) Engenheira Florestal, mestre em agronomia tropical – marmunizz@yahoo.com.br (2) Agrônomo- Pesquisador - Embrapa Solos - Rua Jardim Botânico, 1.024 - Jardim Botânico. Rio de Janeiro, RJ – Brasil. wenceslau@cnps.embrapa.br Resumo: A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa H. B. K.) apresenta rápido crescimento e pode também ser utilizada em reflorestamento. No entanto, o reflorestamento com a espécie é ainda pequeno, devido principalmente aos custos de produção, sendo o substrato um dos principais componentes deste custo. O objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento em altura de mudas de castanheira- do-Brasil em substrato argiloso e arenoso com adição de 0, 10, 30, 50 e 70% de carvão vegetal. Os resultados mostraram maior crescimento das mudas no tratamento substrato argiloso com 50% de carvão com adubação, porém não diferenciou estatisticamente dos tratamentos substrato arenoso com 30% de carvão, sem adubação e substrato argiloso com 30% de carvão, sem adubação e não mostraram diferença estatística em relação à testemunha (terriço). Esses resultados mostram que os substratos compostos somente com carvão vegetal apresentaram nutrientes suficientes para suprir o crescimento das mudas, não havendo necessidade de fertilização. Palavras-chave: Reflorestamento, Solo argiloso, Solo arenoso. INTRODUÇÃO - A castanheira-do-Brasil é uma espécie arbórea nativa da Amazônia, pertence à família Lecythidaceae, produtora de sementes oleaginosas e ricas em proteínas de boa qualidade. Além da potencialidade da espécie para produção de frutos, pode também ser utilizada em reflorestamento. No entanto, o reflorestamento com castanheira-do- Brasil é ainda pequeno, devido principalmente aos custos de produção, sendo o substrato um dos principais componentes deste custo. No estado do Amazonas os produtores de mudas, utilizam, em geral, o horizonte orgânico (camada de 0-15 cm de profundidade) dos solos recobertos por mata de capoeira ou floresta primária (chamado localmente de terriço), para a preparação do substrato em viveiros. Em setembro de 2008, o Governo Federal lançou o programa “1 Bilhão de Árvores para a Amazônia”, com a meta de atingir aproximadamente 20 milhões de hectares em área degradada. Considerado o maior programa de reflorestamento e recomposição florestal do planeta. Neste contexto, a utilização do solo de floresta (terriço), para produção de mudas, traria conseqüências ambientais negetivas. Entretanto, a necessidade de produzir mudas e, ao mesmo tempo o compromisso em proteger o ambiente, motivou a busca por um substrato que substituísse o componente solo de floresta (terriço) e uma tendência geral de compor substratos para produção de mudas tem sido a adição de fontes de matéria orgânica. Motivo pelo qual, as regiões orizícolas utilizam a casca de arroz carbonizada para compor substratos (SILVEIRA et al., 2002). No estado do Amazonas há baixa disponibilidade deste produto e entre os materiais que podem ser utilizados como componente de substrato está o carvão vegetal. O Brasil é responsável por 38,5% da produção mundial de carvão vegetal. No Processo de fabricação cerca de 15% do carvão produzido são transformados em finos, que não possuem valor no mercado e que podem ser aproveitados na agricultura (BENITES et al., 2009). O objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento em altura e a produção de matéria seca de mudas de castanheira- do-Brasil em substrato argiloso e arenoso com adição de doses crescentes de carvão vegetal. MATERIAL E MÉTODOS - O experimento foi conduzido na Embrapa Amazônia Ocidental, localizado no km 29 da Rodovia AM 010, nas coordenadas 3°8’ S e 59°52’ W, Município de Manaus (AM). Os substratos, argiloso - Latossolo Amarelo (horizonte Bw) e arenoso - Argissolo Amarelo (horizonte Bt) foram coletados da camada subsuperficial (20 a 40 cm) próximo e dentro da Estação Experimental da Embrapa, respectivamente. O substrato solo de floresta (terriço) foi coletado numa área de capoeira situado também na Estação Experimental da Embrapa. As amostras de carvão vegetal foram trituradas e tamisadas em peneira de malha de 5 mm de abertura. Os subsolos foram peneirados e misturados as doses de carvão vegetal correspondente a 0, 10, 30, 50 e 70 % (volume/volume). Todos os tratamentos receberam uma fosfatagem com 2 kg de superfosfato