Ocorrência de aves marinhas no estuário da Baía da Babitonga, costa norte de Santa Catarina, sul do Brasil Marta Jussara Cremer 1 e Alexandre Venson Grose 2 1 Laboratório de Ecologia de Ecossistemas Costeiros, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE, Caixa Postal 110, CEP 89240-000, São Francisco do Sul, SC, Brasil. E-mail: marta.cremer@univille.net. 2 Pesquisador Colaborador – UNIVILLE. E-mail: ale.grose@hotmail.com. Submetido em: 16/07/2009. Aceito em: 03/09/2009. ABSTRACT: Occurrence of seabirds in the Babitonga Bay estuary on the North coast Santa Catarina, southern Brazil. The Babitonga Bay harbors the largest mangrove area of the State of Santa Catarina, where abundant feeding resources are available for a diversified fauna. The avifauna in this area is still poorly known, and the objective of this work was to record the occurrence of seabirds in this estuary. Between May 2007 and April 2008 monthly samplings were carried out in three regions of the estuary using a motorboat, namely ‘Linguado’, ‘Palmital’ and ‘Praias’. At least six species were recorded: Kelp Gull Larus dominicanus, Magnificent Frigatebird Fregata magnificens, Brown Booby Sula leucogaster, Sandwich Tern Thalasseus sandvicensis, Royal Tern Thalasseus maximus and an unidentified skua Stercorarius spp. Larus dominicanus was the most abundant specie, followed by Thalasseus sandvicensis. The ‘Linguado’ region showed the highest number of individuals. Seasonal fluctuations were observed; the fall showed the highest abundance and the winter the lowest. The estuary is used as feeding and resting area for the sea birds. KEY-WORDS: seabirds, Babitonga Bay, abundance, seasonality. RESUMO: A Baía da Babitonga abriga o maior manguezal de Santa Catarina, disponibilizando recurso alimentar abundante para uma diversificada fauna. Com relação à avifauna, poucas informações estão disponíveis. O objetivo do presente trabalho foi registrar a ocorrência de aves marinhas no interior deste estuário. No período de maio de 2007 a abril de 2008 foram realizadas amostragens mensais em três regiões do estuário utilizando embarcação a motor, a saber, “Linguado”, “Palmital” e “Praias”. Foram registradas pelo menos seis espécies: Larus dominicanus, Fregata magnificens, Sula leucogaster, Thalasseus sandvicensis, Thalasseus maximus e Stercorarius spp. Larus dominicanus foi a espécie mais abundante, seguida de Thalasseus sandvicensis. A região “Linguado” apresentou o maior número de indivíduos. Flutuações sazonais foram observadas, sendo que o outono apresentou a maior abundância e o inverno a menor. O estuário é utilizado como área de alimentação e descanso para as aves marinhas. PALAVRAS-CHAVE: aves marinhas, Baía da Babitonga, abundância, sazonalidade. Os estuários são locais de grande importância para a alimentação de várias espécies de aves limícolas e ma- rinhas, que contribuem com o fluxo de energia desses ecossistemas (Nybakken 2001). A ocorrência de aves marinhas em ambientes estuarinos está diretamente as- sociada à busca por alimento, mas também para repouso (Vooren e Chiaradia 1990, Sick 1997). Muitas espécies nidificam em ilhas costeiras próximas aos estuários, dessa forma reduzindo o custo energético para a captura de pre- sas (Vooren e Brusque 1999). Espécies oceânicas podem eventualmente ocorrer nesses ambientes, principalmente durante a fase juvenil (Piacentini et al. 2005). A Baía da Babitonga abriga a maior área de mangue- zal de Santa Catarina, sendo a última grande formação desse ecossistema no hemisfério sul (IBAMA 1998). A ri- queza e diversidade dos ecossistemas adjacentes propiciam a ocorrência de uma fauna diversificada (PROBIO 2003). Estudos relacionados à avifauna na baía ainda são escas- sos e consistem em observações oportunísticas. Foram registradas até o momento 56 espécies de aves, das quais quatro são marinhas costeiras (IBAMA 1998). O objetivo deste trabalho foi registrar a ocorrência de aves marinhas no estuário da Baía da Babitonga, considerando-se aspec- tos relativos à diversidade, sazonalidade e distribuição. MATERIAL E MéTODOS Área de estudo O estuário da Baía da Babitonga localiza-se na cos- ta norte de Santa Catarina, entre as coordenadas 26°28’S e 48°28’-48°50’W (Figura 1). A lâmina d’água apresen- ta uma superfície de 160 km 2 , com aproximadamente 6.201,54 ha de bosques de manguezal em suas margens (IBAMA 1998). A profundidade média é de 6 metros. A baía vem sofrendo um intenso processo de assoreamento e grandes planícies de maré ficam expostas durante a maré ARTIGO Revista Brasileira de Ornitologia, 18(3):176-182 Setembro de 2010