II Congresso ACP 1 ÉTICA E RESILIÊNCIA FACE À CRISE GLOBAL José Brissos-Lino «Mas o que é isto que está a acontecer? Do que é que está a falar? Da crise, porra!” (João Tordo, A Anatomia dos Mártires, Ed. D. Quixote, Alfragide, 2011) Uma das formas mais simples de encarar as questões éticas e deontológicas é partir do princípio de que as mesmas apenas adquirem relevância definitiva em períodos ou situações de crise aguda. Com efeito, as grandes discussões éticas regressam invariavelmente à ordem do dia nos questionamentos levantados em momentos de crise. Os conflitos éticos ou de valores resultam inevitavelmente da tensão entre dois ou mais valores distintos que se confrontam, numa dada situação concreta, levando os intervenientes, observadores ou investigadores ao desenvolvimento de uma reflexão e do que se poderá chamar um raciocínio ético. Trata-se, porém, de um exercício de imensa flexibilidade, uma espécie de trabalho sem rede, uma vez que não há respostas certas ou erradas, mas unicamente pontos de vista que fazem mais ou menos sentido num determinado momento do percurso vivencial de um dado indivíduo.