p.396 • Rev enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2014 mai/jun; 22(3):396-401. Adolescente que cumpre medida socioeducativa Artigo de Pesquisa Original Research Artículo de Investigación Recebido em: 04/04/2013 Aprovado em: 07/01/2014 RESUMO: Objetivou-se compreender o cotidiano do ser-adolescente que cumpre medida socioeducativa de semiliberdade. Investigação fenomenológica, desenvolvida em uma Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul/Brasil. Foram entrevistados nove adolescentes, entre fevereiro-maio/2009. A análise heideggeriana desvelou que vivenciar a medida socioeducativa significa ter dificuldades para conviver, obedecer e se manter legal, sem delinquir ou fugir; estar afastado de parentes, amigos e sentir falta da mãe, aprendendo a valorizá-la. Mostra-se no modo de ser-com as pessoas: família, pares e profissionais. Conclui-se que o adolescente, ao se relacionar, mantém-se na impessoalidade daquilo que os outros esperam que ele faça. Por vezes, na relação com a mãe ou filho, se mostra na autenticidade de ser-si-mesmo. A enfermagem pode aprimorar a assistência na Fundação e construir um projeto existencial positivo, prevenindo a reincidência no sistema socioeducativo. Palavras-Chave: Saúde do adolescente; adolescente institucionalizado; enfermagem; defesa da criança e do adolescente ABSTRACT: This phenomenological study conducted at a Social Education Foundation in Rio Grande do Sul, Brazil, aimed to understand the routine of adolescent-beings undergoing semi-custodial ‘social education’ measures. Nine adolescents were interviewed between February and May 2009. Heidegger analysis revealed that experiencing this social education measure means having difficulty coexisting, obeying and staying legal (not offending or absconding); being away from relatives and friends, missing mothers, thus learning to value them. This is shown in the manner of being-with people (family, peers and professionals). It is concluded that, in their relations, the adolescents limit themselves to the impersonality of what others expect of them. Sometimes, in relationships with mother or child, they appear as authentically being-themselves. Nursing can improve care given at the Foundation and construct a positive existential project, preventing recidivism in the social education system. Keywords: adolescent health; institutionalized teenagers; nursing; child advocacy. RESUMEN: El presente trabajo tuvo como objetivo comprender el cotidiano del ser-adolescente que cumple medida socioedu- cativa de semilibertad. Investigación fenomenológica, desarrollada en una unidad de la Fundación de Atención Socioeducativa, en Rio Grande del Sur/Brasil. La entrevista fue desarrollada con nueve adolescentes, entre febrero-mayo/2009. El análisis hei- deggeriano desveló que vivenciar la medida socioeducativa significa tener dificultades para convivir, obedecer y mantenerse bien sin delinquir o huir; estar lejano de parientes y personas amigas; sentir falta de la madre, aprendiendo a revalorizarla. Se muestra en el modo de ser-con las personas que integran su cotidiano: familia, pares y profesionales. Se concluye que el adolescente, al relacionarse, se mantiene en la impersonalidad de aquello que los otros esperan que él haga. Por veces, en la relación con la madre o hijo, se muestra en la autenticidad de ser-sí-mismo, especialmente, en la relación con la madre o hijo. Palabras Clave: Salud del adolescente; adolescente institucionalizado; enfermería; defensa del niño y del adolescente. O adolescente que cumpre medida socioeducativa: ser-aí-com no cotidiano e possibilidades para a enfermagem Adolescents under semi-freedom social-educative measure: being-there-with#set in the everyday and possibilities for the nursing El adolescente que cumple medida socioeducativa: ser-ahí-con en el cotidiano y posibilidades para la enfermería Dilce Rejane Peres do Carmo I ; Stela Maris de Mello Padoin II ; Cristiane Cardoso de Paula III ; Ivis Emília de Oliveira Souza IV I Mestre em Enfermagem, Responsável Técnica do Serviço de Enfermagem da Unidade do Centro de Atendimento Socioeducativo de Internação. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: dilcerpc@ibest.com.br. II Doutora em Enfermagem, Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria. Líder do Grupo de Pesquisa Cuidado à saúde das pessoas, famílias e sociedade. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: stelamaris_padoin@hotmail.com. III Doutora em Enfermagem, Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria. Líder do Grupo de Pesquisa Cuidado à saúde das pessoas, famílias e sociedade. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: cris_depaula1@hotmail.com. IV Doutora em Enfermagem, Professora Titular da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: ivis@superig.com.br. Artigo de Pesquisa Original Research Artículo de Investigación Introdução As transformações biopsicossociais da fase do de- senvolvimento da adolescência caracterizam um período de vulnerabilidade, no qual podem ocorrer alterações de comportamento e das relações. É resultado negativo da relação entre a disponibilidade dos recursos materiais ou simbólicos e o acesso à estrutura de oportunidades sociais que provêm do Estado e da sociedade 1 . Nessa população, destaca-se o adolescente infra- tor e que cumpre medida socioeducativa (MSE). No Rio Grande do Sul (RS), 1.158 adolescentes estão em MSE de internação na Fundação de Atendimento Socioeducativo (FASE). Destes, 43,3% estão em unidades do interior do estado, 96,5% são do sexo masculino, 79,2% com idades entre 15 e 18 anos, e