Rev Port Cardiol. 2012;31(7---8):469---476 Revista Portuguesa de Cardiologia Portuguese Journal of Cardiology www.revportcardiol.org ARTIGO ORIGINAL O treino de ortostatismo (tilt training) aumenta a reserva vasoconstritora em doentes com síncope reflexa neurocardiogénica Sérgio Laranjo a,b,* , Mário Martins Oliveira a,b , Cristiano Tavares a,b , Vera Geraldes a,b , Sofia Santos c , Eunice Oliveira c , Rui Ferreira c , Isabel Rocha a,b a Instituto de Fisiologia e Unidade de Sistema Nervoso Autónomo, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal b Instituto de Medicina Molecular, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal c Servic ¸o de Cardiologia, Hospital de Santa Marta, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa, Portugal Recebido a 11 de julho de 2011; aceite a 15 de dezembro de 2011 Disponível na Internet a 4 de junho de 2012 PALAVRAS-CHAVE Síncope; Treino de ortostatismo; Sistema nervoso autónomo Resumo A síncope neurocardiogénica (SNc) é uma entidade clínica comum, resultante de uma resposta autonómica reflexa excessiva durante o stress ortostático. As diferentes opc ¸ões tera- pêuticas são controversas e de eficácia limitada. O treino de ortostatismo (TTr) tem-se mostrado uma alternativa prometedora no tratamento destes doentes (D). No entanto, permanece por esclarecer o seu mecanismo de ac ¸ão e o impacto clínico numa populac ¸ão com SNc recorrente. Objectivo: Caracterizar a resposta hemodinâmica e autonómica durante um programa de TTr em doentes com SNc refratária às medidas convencionais. Populac ¸ão e métodos: Foram estudados 28D (50% do sexo masculino, 41 ± 14 anos), sem evi- dência de cardiopatia, com SNc documentada em teste de ortostatismo passivo. O TTr incluiu 9 sessões hospitalares (3x/semana, 30 minutos) com monitorizac ¸ão contínua de pressão arterial e frequência cardíaca (60 - 6 sessões - 70 - 3 sessões), complementadas com treino diário no domicílio e elevac ¸ão da cabeceira a 10 durante o sono. O volume sistólico, o débito cardíaco, a resistência vascular periférica, a sensibilidade do barorreflexo e a variabilidade da frequência cardíaca foram calculados. Todos os doentes foram reavaliados no fim do 1. mês e no final de cada 6 meses num período máximo de 36 meses (follow-up 24 ± 12 meses). Resultados: Ao longo das sessões de TTr verificou-se um aumento significativo e consistente da resistência total periférica (1485 ± 225 vs. 1591 ± 187 dyne*s/cm -5 , p < 0,05) associado a uma diminuic ¸ão do seu desvio-padrão (206 ± 60 vs. 150 ± 42, p < 0,05). Durante o período de follow-up, houve recorrência de síncope em 5D (19%), com reduc ¸ão significativa do numero de síncopes (4,0 ± 3,2/D nos 12 meses pre-TTr vs. 1,4 ± 0,8/D pos-TTr, p < 0,05). Autor para correspondência. Correio eletrónico: sergiolaranjo@gmail.com (S. Laranjo). 0870-2551/$ – see front matter © 2011 Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Publicado por Elsevier España, S.L. Todos os direitos reservados. http://dx.doi.org/10.1016/j.repc.2012.05.004 Documento descarregado de http://http://www.elsevier.pt el 20/11/2012. Cópia para uso pessoal, está totalmente proibida a transmissão deste documento por qualquer meio ou forma.