USO DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS PARA PROPOSTA DE USO DA TERRA E DEMARCAÇÃO DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO BRIGADEIRO GUILHERME BARCELLOS GJORUP (1) FERNANDO SILVEIRA FRANCO (2) RICARDO SEIXAS BRITES (3) (1) Estudante de Doutorado Universidade Federal de Viçosa Bolsista da CAPES DPS/UFV 36570-000 DPSXANOR@BRUFV.BITNET.BR (2) Estudante de Doutorado Universidade Federal de Viçosa DEF/UFV (3) Professor - Universidade Federal de Viçosa DEF/UFV 36570-000 BRITES@BRUFV.BITNET.BR Abstract. This paper shows how a GIS was used to allocate land parcels for multiple use, talking into account the needs of small and great producers in a watershed. The limits for a state park was also proposed considering the social implications regarding the placement of its boundaries initially set, by the government, to be the 1.000 m contour line. Keywords: GIS, Multiple Use, Land Use 1. INTRODUÇÃO A Zona da Mata mineira é uma região cuja vegetação natural corresponde à mata tropical atlântica (AB’SABER, 1992). Esta região está situada no estado de Minas Gerais, na divisa com os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, abrangendo uma área de 36.012 km 2 . Podzólicos e Latossolos bastante intemperizados, associados à um relevo declivoso marcam a paisagem regional. A estação chuvosa se concentra nos meses de outubro a março, com uma precipitação anual que oscila entre 1.200 a 1.500 mm. Na maior parte da região a altitude varia de 300 a 1.500 m e a temperatura mostra médias mínimas anuais entre 14 e 28 o C. A população é da ordem de 1,71 milhões de habitantes, sendo que a população rural corresponde a 30% deste total. A Zona da Mata é a região mineira de estrutura fundiária menos concentrada com 90,9% dos estabelecimentos na faixa de 0 a 100 ha (IBGE, 1991). Estima-se que existam hoje na Zona da Mata apenas 288.177 ha cobertos com florestas naturais, pertencentes ao domínio da Mata Atlântica, cerca de 7.66% da área da região. A maior área contínua de floresta natural primária está situada na Serra do Brigadeiro, a uma altitude de 1.000 a 2.000 m. Esta área tem aproximadamente 2.000 ha e ainda conserva várias espécies de árvores e animais com sua existência ameaçada como: Cedro (Cedrela fissilis), Canjerana (Cabralea canjerana), Vinhático (Platymenia foliolosa) Jequitibá (Cariniana strellensis), Braúna (Melanoxylum braúna), Palmito Jussara (Euterpe edulis). Dentre a fauna destaca-se a presença do macaco Mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), Mico (Cebus spp) (COUTO E DIETZ, 1980). O Instituto Estadual de Florestas (IEF), começou estudos na região para a delimitação do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB), já que nela permanecem grandes áreas de remanescentes da Mata Atlântica. Na proposição feita por COUTO e DIETZ (1980), que culminou em lei autorizativa para estudos de criação do PESB, seus limites passariam junto a cota de 1.000 m, abrangendo uma área total de 32.500 ha em cinco municípios. No entanto, nesta área residem cerca de 400 famílias de pequenos agricultores, que não teriam para onde ir com a desapropriação, o problema é agravado quando se considera que muitos deles são meeiros e não seriam indenizados. A maior parte da área proposta para o PESB na lei autorizativa é ocupada por terras produtivas seja com lavouras ou pastagens, não justificando a criação do parque nesta área. Os pequenos agricultores vivem hoje sérios problemas que passam pela falta de terra, enfraquecimento dos solos, saúde, dentre outros. Para compreender melhor os seus problemas, o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Araponga em parceria com o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), professores e estudantes de Universidade Federal de Viçosa (UFV) realizou um diagnóstico participativo com os pequenos agricultores desta região. Com a análise do diagnóstico, os pequenos agricultores, priorizaram os seguintes problemas: enfraquecimento dos solos, a criação do PESB, educação e saúde. A proposta para solução dos problemas reuniu dados secundários que foram organizados em sistema Anais VIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Salvador, Brasil, 14-19 abril 1996, INPE, p. 165-169. 165