EFEITO DA ADIÇÃO DE ÁGUA NA EVOLUÇÃO DA TEMPERATURA NO MIOLO DE AGLOMERADOS DURANTE O CICLO DE PRENSAGEM Carlos Eduardo Camargo de Albuquerque*, Setsuo Iwakiri** * Eng. Florestal, Dr., Depto. de Engenharia e Tecnologia Florestal, UFPR - camargo@ufpr.br ** Eng. Florestal, Dr., Depto. de Engenharia e Tecnologia Florestal, UFPR - setsuo@floresta.ufpr.br Recebido para publicação: 22/03/2005 - Aceito para publicação: 30/04/2005 Resumo Efeito da adição de água na evolução da temperatura no miolo de aglomerados durante o ciclo de prensagem. Este trabalho analisou a evolução da temperatura no miolo do colchão de partículas, em tempo real, durante o ciclo de prensagem, com e sem o efeito da adição de água nas camadas superficiais do colchão. A adição de água provocou uma acentuada oscilação de temperatura no miolo dos painéis durante o ciclo de prensagem, que requer um tempo total de prensagem superior aos estudados, para atingir uma consolidação efetiva. Sem a adição de água, o tempo total de prensagem de 4 minutos foi suficiente para uma consolidação efetiva dos painéis. Palavras-chave: aglomerados; ciclo de prensagem; evolução da temperatura. Abstract Effect of water application on the temperature development in the mat core during the particleboard pressing cycle. The purpose of the present work was to analyze the temperature development in the mat core, during the pressing cycle, through real time temperature measurement, with and without application of water in the mat superficial layers. The application of water caused temperature oscillation which requires an enlargement of the pressing time to reach as effective consolidation in panels. Without application of water, the pressing time period of 4 minutes is enough to reach an effective consolidation in panels. Keywords: particleboards; pressing cycle; core temperature development. INTRODUÇÃO O aglomerado, apesar dos recentes produtos inseridos no mercado nacional de painéis, como o MDF, possui um mercado em expansão. Portanto, para se manter num mercado cada vez mais exigente e competitivo, há necessidade de uma evolução constante do produto. Desta forma, a precisão do controle do ciclo de prensagem na indústria adquire uma vital importância. Numa prensagem convencional a quente, de acordo com Maku (1959) citado por Hata et al. (1989), quanto mais elevado o teor de umidade das partículas, menor o tempo para o miolo atingir 100ºC. Entretanto, essa temperatura mantem-se constante pelo tempo necessário, até as partículas reduzirem sua umidade para níveis inferiores a 10% quando, então, a temperatura volta a subir. Quando a umidade das camadas superficiais do painel é vaporizada, pelo contato com os pratos aquecidos da prensa, migram para o miolo do painel e, desta forma, a resina reage mais facilmente do que se fosse transferência de calor por condução. Entretanto, a umidade em excesso, ao migrar para as camadas internas do painel, impõe um ciclo de prensagem muito mais longo, a fim de eliminar essa umidade pelas bordas evitando a delaminação com a liberação da pressão e abertura da prensa. Outrossim, ressalva-se que umidade em excesso interfere na reação química de polimerização e condensação, inerentes ao processo de cura da resina (Kelly, 1977). Heebink et al. (1972), citado por Kelly (1977), afirmaram que 12% representam o teor de umidade ótimo para um colchão de distribuição uniforme de partículas. Umidades inferiores requerem pressões mais elevadas para consolidar o colchão e podem comprometer ligações interpartículas. FLORESTA, Curitiba, PR, v.35, n. 1, jan./abr. 2005. Albuquerque, C. E. C. de; Iwakiri, S. 57