1 PRÁXIS ÉTICA DO CUIDADO E GÊNERO: QUESTÕES PARA O CURRÍCULO “Devemos encontrar o/a outro/a no cuidado. A partir dessa exigência não há escapatória para alguém que queira ter um comportamento ético.” Nel Noddings Claudete Beise Ulrich RESUMO As mulheres precisam cuidar da casa, dos filhos, dos doentes, das pessoas idosas...Os homens precisam se preocupar com os negócios, com a profissão, com o trabalho... A casa e tudo o que se refere a ela pertence ao mundo privado, aquilo que está fora da casa pertence ao mundo público. Esta visão dualista, do mundo privado e público, criou uma visão dicotômica dos saberes teóricos e práticos. O processo educacional, baseado na racionalidade científico-técnica, tem fundamentado esta visão dualista de ser humano e de sociedade, apoiado numa hierarquia de gênero, valorizando o racional em detrimento do emocional. Incluir gênero como categoria de análise no currículo escolar é percebê-lo como uma construção social e cultural. Desta forma, não podemos analisá-lo sem considerar as relações de poder nele existentes que tem privilegiado determinados conhecimentos ao invés de outros. A práxis do cuidado poderá, então, ser resgatada como um referencial ético para o currículo, para a educação e para toda pessoa humana, restabelecendo relações solidárias e amorosos com o/a outro/a, consigo mesmo, com a natureza e uma nova relação com a Transcendência criadora. Ela rompe com a visão dicotômica do ser humano, da sociedade, interligando o público e o privado, a teoria e a prática. Ela se mostra como um movimento, reorganizando os fios, dando uma nova tessitura na formação da pessoa humana cidadã. Um currículo permeado pela práxis ética do cuidado, a partir da categoria de análise de gênero, poderá resgatar os valores da solidariedade, da ternura, da responsabilidade e do compromisso, levando para um processo emancipatório da vida humana e planetária. PALAVRAS CHAVES: gênero, educação, práxis ética do cuidado, currículo não sexista, vida humana-planetária.