ECOLOGIA 36 | CIÊNCIAHOJE | 302 | VOL. 51 CIÊNCIAHOJE | 302 | ABRIL 2013 | 37 Em todo o mundo, a invasão de espécies exóticas é uma das principais causas de perda de biodiversidade. No sul do Brasil, pinheiros trazidos ao país para uso em plantações comerciais avançam em ambientes naturais, gerando preocupação quanto a seu possível impacto na diversidade regio- nal. Essas árvores são encontradas até em áreas destinadas à conserva- ção, como o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. Pesquisas realizadas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, naquele estado, buscam avaliar o impacto, em ecossistemas aquáticos, das es- pécies de Pinus introduzidas no sul do país. Leonardo Maltchik Ana S. Rolon Cristina Stenert Ibere F. Machado Leonardo F. B. Moreira Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquático, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) A INVASÃO DOS PINHEIROS >>> A introdução de espécies exóticas e a perda e fragmentação de ecossistemas naturais são as principais ameaças à biodiversi- dade. Os efeitos danosos da introdução de espécies de pinhei- ros em regiões distantes de sua área de ocorrência natural preocupam ecólogos e pesquisadores do mundo inteiro. Mui- tas espécies do gênero Pinus têm rápido crescimento, o que incentivou o cultivo desses pinheiros em várias partes do mundo para fins comerciais, como produção de madeira, celulose e resina. Nos últimos cinco anos, a expansão de florestas plantadas no mundo al- cançou cerca de 5 milhões de hectares (área maior que o estado do Espírito Santo) por ano, inclusive em ambientes antes não florestados. Na América do Sul, o estabelecimento de florestas plantadas com espécies de Pinus em áreas não florestadas pode estar degradando muitos ecossistemas naturais, inclusive as áreas úmidas. Na América do Sul, mais de 90% das florestas plantadas para fins comerciais é composta de espécies exóticas (em especial, espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus). Figura 1. As plantações de espécies de Pinus na região costeira do Rio Grande do Sul se alastraram na década de 1960 graças a incentivos do governo federal Biodiversidade de áreas úmidas sob ameaça no sul do Brasil