Na presente comunicação, além de uma apresentação – que será sem- pre apenas “tanto quanto possível” exaustiva – de trabalhos, tentarei carac- terizar os principais grupos temáticos da medievalística portuguesa sobre o assunto em apreço, discutindo tanto o porquê da sua existência, como as suas forças e fraquezas. Ao mesmo tempo, procurarei apresentar trabalhos nas mesmas áreas, mas oriundos de outras historiografias, sugerindo for- mas de aproximação entre ambos. Na verdade, não se pode afirmar que faltem totalmente estudos sobre a religiosidade dos leigos; o problema é que o tema tem sido abordado de forma dispersa em temáticas de base diferente – como sejam a história dos grupos sociais, a história local e a história das instituições eclesiásticas. São raras as abordagens mais direccionadas, e, a meu conhecimento, pratica- mente nenhuma subordina o inquérito ao tópico da religiosidade dos leigos, entendido como um campo historiográfico com inquéritos e problemáticas próprias, tal como se tem vindo a praticar desde cerca dos anos ’60, em diversas historiografias estrangeiras 1 . Assim, teremos de procurar o tema, * Universidade Nova de Lisboa; membro do CEHR. 1 Veja-se o nosso ponto da situação em Laicado. I. Época Medieval. – DICIONÁRIO de História Religiosa de Portugal. Dir. de Carlos Moreira Azevedo. J-P. [Lisboa]: Círculo de Leitores, 2001, p. 44-47. Ao que saibamos, a única abordagem especificamente dedicada ao tema é ROSA, Maria de Lurdes – A religião no século: vivências e devoções dos leigos. In HISTÓRIA Religiosa de Portugal. Dir. de Carlos Moreira Azevedo. Vol. 1: Formação e limites da Cristandade. Coord. de Ana Maria Jorge; Ana Maria Rodrigues. [Lisboa]: Círculo de Leitores, 2000, p. 423-510. Mais recentemente analisámos o tema da religiosidade/vida SOCIABILIDADES E ESPIRITUALIDADES NA IDADE MÉDIA: A HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA SOBRE OS COMPORTAMENTOS RELIGIOSOS DOS LEIGOS MEDIEVAIS MARIA DE LURDES ROSA * LUSITANIA SACRA, 2ª série, 21 (2009) 75-124