DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v8i2.8211 Cienc Cuid Saude 2009 Abr/Jun; 8(2):274-279 CRIANÇAS COM DIABETES MELLITUS TIPO 1: FORTALEZAS E FRAGILIDADES NO MANEJO DA DOENÇA Valéria de Cássia Sparapani* Lucila Castanheira Nascimento** RESUMO A literatura nacional e internacional tem mostrado que a incidência de diabetes mellitus em crianças tem aumentado consideravelmente, e que um cuidado individualizado e fundamentado, a ser fornecido pelos profissionais que compõem a equipe de saúde, é essencial para o alcance das metas do tratamento. Este estudo tem como objetivo oportunizar a reflexão acerca de fatores que facilitam ou não o manejo desta patologia na infância, buscando contribuir para o aprimoramento do trabalho da equipe interdisciplinar, com vistas à melhoria da qualidade de vida das crianças e seus familiares. Foram explorados temas como a parceria da família, a importância do apoio social e da rede social, a valorização da experiência do indivíduo e a interação entre a equipe de saúde, a criança e sua família. Tais elementos podem se constituir em potencialidades ou fragilidades no manejo da doença, e a sua identificação pode ajudar os profissionais da saúde, especialmente os enfermeiros, a elegerem intervenções criativas, que auxiliem a criança e seus familiares no manejo da doença e concorram para o aperfeiçoamento da assistência prestada. Palavras-chaves: Criança. Diabetes mellitus Tipo 1. Enfermagem. Família. Educação em Saúde. INTRODUÇÃO A doença crônica na infância pode trazer implicações para o desenvolvimento da criança e das suas relações familiares, entre elas, mudanças nas suas condições físicas, deficiências no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e doença mental, limitando suas atividades diárias (1) . Tem longa duração, podendo não ter cura, deixa sequelas e restringe as funções do indivíduo, exigindo dele força, alterações comportamentais e adaptação. Ademais, requer certo nível de cuidados permanentes e modificações no estilo de vida e no gerenciamento da saúde (2-3) . A vida da criança altera-se irreversivelmente em virtude do tratamento e das consequências da doença. Nesse processo, ela e sua família vivenciam experiências em várias dimensões e a adequação a estas novas situações ocorre de maneira diferente, de acordo com o ciclo de vida em que a família se encontra, o papel da criança neste núcleo, as repercussões do impacto da doença em cada membro e a sua forma de organização nesse período (4) . Dentre todas as doenças crônicas na infância, o diabetes mellitus tipo 1 é uma das mais comuns, acometendo aproximadamente dois terços de todos os casos de diabetes em crianças. Tem-se observado um aumento da sua incidência em todo o mundo, principalmente entre jovens e crianças e nos países com taxas historicamente altas (5) . Em países da Europa, como a Inglaterra, o diabetes tipo 1 é a doença crônica que mais afeta pessoas jovens, e sua incidência mostra-se aumentada naquelas com menos de 16 anos, dobrando em um período de 10 anos, de 7,9 para 13,5 por 100.000 por ano (6) . Nos Estados Unidos, mais de 151.000 crianças abaixo dos 20 anos têm diabetes tipo 1, e a sua incidência é de 1,7 caso por 1.000 indivíduos (5) . Na América do Sul, as taxas variam de 0,4 por 100.000 habitantes em Lima (Peru) a 8,0 por 100.000 habitantes em São Paulo (Brasil), aumentando estas incidências em direção às regiões sulinas (7) . O diabetes mellitus tipo 1, objeto desta reflexão, é uma doença heterogênea, na qual ocorre destruição dos mediadores autoimunes das células betapancreáticas, culminando em deficiência total de insulina, tornando-se assim necessária a reposição com insulina exógena (5,8) . ____________________ *Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem em Saúde Pública, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP), Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Capítulo Rho Upsilon, Sigma Theta Tau International, Honor Society of Nursing. Membro do Grupo de Pesquisa em Enfermagem no Cuidado da Criança e do Adolescente – GPECCA. E-mail: valsparapani@hotmail.com **Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e de Saúde Pública da EERP/USP, Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Capítulo Rho Upsilon, Sigma Theta Tau International, Honor Society of Nursing. Membro do GPECCA. E-mail: lucila@eerp.usp.br