Aprendizagem ao longo da vida e ensino superior – contributos para o aumento da participação dos estudantes adultos não tradicionais Ana Maria Ramalho Correia INETI – Inst. Nacional de Eng., Tec. e Inovação Estrada do Paço do Lumiar, 22 1649-038 Lisboa, Portugal ana.correia@ineti.pt e ISEGI – Universidade Nova de Lisboa Campus de Campolide 1070-124 Lisboa, Portugal acorreia@isegi.unl.pt Anabela Mesquita Sarmento ISCAP / IPP R. Dr. Jaime Lopes de Amorim 4465-111 S. Mamede Infesta e Universidade do Minho (Centro Algoritmi ), Portugal Tel: + 351 22 905 00 00 Fax: + 351 22 902 58 99 abmesquita@sapo.pt sarmento@iscap.ipp.pt I ntrodução Com a globalização da concorrência, a aceleração das mutações tecnológicas e os desafios colocados pelo aumento de produtividade e competitividade assentes no conhecimento, entende-se facilmente o apelo à intensificação e ao alargamento da participação dos cidadãos em actividades de aprendizagem ao longo da vida (ALV), tendo em vista responder às preocupações decorrentes do mercado de trabalho em contínua evolução. Essas novas oportunidades educativas devem estar disponíveis, não apenas para os jovens com possibilidade de seguirem uma formação dita convencional, mas para todos aqueles a quem as circunstâncias da vida não permitiram frequentar o sistema formal de ensino. As instituições de ensino superior (IES) desempenham um papel crucial nesta preparação dos cidadãos para a vida. Nelas, os candidatos poderão ter a oportunidade para desenvolverem competências novas e até aperfeiçoarem as que já possuem com vista a responderem aos desafios decorrentes das alterações demográficas, efeitos da globalização e até da reestruturação económica a nível mundial (Green, 2002). Como se refere no documento O Papel das Universidades na Europa do Conhecimento (Comissão..., 2003:7) as IES deverão contribuir para colmatar as lacunas de educação e formação. Estas incluem “necessidade de educação científica e técnica, a aquisição de competências transversais e a possibilidade de aprendizagem ao longo da vida” . Relativamente ao crescimento da procura do Ensino Superior (ES), a mesma surge, em larga medida, em resultado da dupla pressão exercida pelo objectivo fixado nalguns países, de aumentar o número de estudantes neste nível de ensino e pelas novas exigências ligadas à educação e formação ao longo da vida 1 (Comissão…, 2003:6). Neste contributo sobre a promoção da ALV no ES, numa primeira parte, define-se, ainda que de forma muito breve, o que se entende por ALV, refere-se o papel do ES neste tipo de aprendizagem e caracterizam-se estudantes adultos não tradicionais (EANT). Na segunda parte do contributo, apresentam-se sugestões concretas para ajudar a promover a ALV, em particular a conferente de qualificações profissionais CITE de nível 5 e 6, junto de EANT. Aprendizagem ao Longo da Vida A Comissão das Comunidades Europeias definiu, em 2001, no documento Tornar o espaço europeu de aprendizagem ao longo da vida uma realidade, a ALV como englobando “todas as actividades de aprendizagem intencional desenvolvidas ao longo da vida, em contextos formais, não formais ou informais, com o objectivo de adquirir, desenvolver ou melhorar conhecimentos, aptidões e competências no 1 Países como o Reino Unido e a Dinamarca definiram como objectivo dar formação universitária a 50% da população de um determinado grupo etário, até 2010 (Comissão …, 2003:6).