COMÉRCIO INTERNACIONAL E INTERAÇÕES REGIONAIS: UMA ANÁLISE DE EQUILÍBRIO GERAL Fernando Salgueiro Perobelli 1 Eduardo Amaral Haddad 2 Introdução Nos últimos anos, a economia brasileira tem passado por um processo de ajuste que é resultante dos impactos da globalização, dos acordos de comércio e da criação de áreas de livre comércio, como por exemplo, a criação do Mercosul em 1990. Mais recentemente, o Brasil tem participado, no âmbito do Mercosul, da negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia. O país está também diretamente envolvido nas negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Dentre os vários ajustes que têm ocorrido na economia brasileira, pode-se destacar a mudança no comportamento dos fluxos de comércio do país. Um outro ponto a ser ressaltado, no âmbito das mudanças recentes da economia brasileira, é o possível impacto espacialmente diferenciado do processo de globalização econômica mundial. Isso pode ocorrer devido à existência de especificidades regionais, principalmente no que se refere à composição da estrutura setorial, à disponibilidade de fatores produtivos, ao processo de inovação tecnológica das empresas e ao grau de interação regional. O processo de globalização, e o concomitante processo de fortalecimento dos blocos de comércio, tem proporcionado mudanças em relação ao fluxo de mercadorias e serviços entre os países. Em outras palavras, o advento da globalização torna-se determinante no processo recente de mudança das relações comerciais. Portanto, o processo de desenvolvimento de economias periféricas, como a brasileira, está ocorrendo num ambiente de crescente integração. Para sustentar o processo desenvolvido ora implementado, faz-se necessário inserir, de forma competitiva, a economia brasileira nos fluxos dinâmicos do comércio e dos investimentos. Aliado ao panorama de mudanças no contexto internacional, o estudioso da questão regional no Brasil se depara com a seguinte dicotomia: promoção do crescimento regional de forma a diminuir as disparidades ainda existentes no Brasil e necessidade de inserção da economia brasileira na economia mundial. A maior inserção da economia brasileira no contexto internacional está centrada na necessidade de um aumento da competitividade, de uma diminuição de custos e da reestruturação produtiva. Cabe ressaltar que esse processo pode reforçar os desequilíbrios regionais e ainda criar dificuldades de desenvolvimento em áreas consideradas dinâmicas. Portanto, tomando por base a idéia de aumento dos fluxos de comércio, como propulsor do crescimento regional, e a questão da heterogeneidade espacial do desenvolvimento brasileiro, abre-se espaço para o desenvolvimento de instrumentos analíticos eficazes que permitam avaliar os efeitos das políticas de integração sobre as macro-regiões brasileiras e unidades da Federação. O objetivo principal deste trabalho é contribuir para o melhor entendimento das interações econômicas 3 das unidades da Federação. Perobelli e Haddad (2003ab) analisam de forma detalhada a estrutura das interações entre as unidades da Federação, para o ano de 1996, sob a ótica interna (i.e interdependência intra-regional e inter-regional). Em outras palavras, trata de questões inerentes ao padrão de distribuição espacial do comércio, dependência macro-regional e inter-regional. Perobelli (2004) também analisa as interações sob a ótica externa, ou seja, a inserção das unidades da Federação no comércio internacional. 1 Doutor FEA/USP, Prof. FEA/UFJF e NEREUS/USP. 2 PhD University of Illinois, Prof. FEA/USP e NEREUS/USP. 3 Cabe ressaltar que as interações serão tratadas neste trabalho como o comércio entre as diversas unidades espaciais e suas relações de comércio com o resto do mundo.