Studia Kantiana 12 (2012): 175-194 História e Direito em 1784. Comentários sobre a interpretação da “Escola Semântica de Cam- pinas” [History and law in 1784. Comments on the “Semantic school of Campinas” interpretation] Ricardo Terra Universidade de São Paulo (USP), São Paulo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), São Paulo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Brasília I. Introdução Gostaria que minha participação nessa mesa fosse entendida co- mo uma continuação da homenagem prestada ao Professor Zeljko Lopa- ric com o lançamento do Festschrift pelos seus 70 anos. 1 A maior homenagem que se pode prestar a um pensador é discu- tir suas Ideias. Como não posso realizar agora esta tarefa gostaria, pelo menos, de levantar algumas questões ligadas a elas, mesmo sendo late- rais. Loparic tem uma extensa obra filosófica abrangendo vários temas e autores, como Descartes, Kant, Heidegger, Winnicot, entre outros. Vou restringir-me a alguns aspectos de sua leitura da filosofia de Kant. O interessante é que sua abordagem da filosofia kantiana propõe uma atitu- de, ou mesmo um método: a interpretação semântica. Loparic criou uma vasta linha de pesquisa com a participação de muitos mestrandos, douto- randos, pós-doutorandos e ex-orientandos que hoje são professores. Também orientou outras teses no quadro da semântica, mas não se limi- tou a isso: também pesquisadores com outras formações somaram-se ao 1 Na abertura do XII Colóquio Kant da UNICAMP – Direito e Política, houve uma Seção de Homenagem ao Prof. Zeljko Loparic com o lançamento do livro Um filósofo e a multiplicidade de dizeres. Homenagem aos 70 anos de vida e 40 de Brasil de Zeljko Loparic, organizado por Robson Ramos dos Reis e Andréa Faggion (Campinas: Coleção CLE, 2010). Em seguida, a mesa de abertura do evento teve como tema “História, moral e direito em Kant” e foi composta, além de mim, por Julio Esteves (coordenador), Zeljko Loparic e Daniel Omar Perez. Procurei manter o caráter oral de minha exposição para ressaltar a origem do texto, ou seja, um debate sobre um aspecto da leitura semântica da filosofia da história kantiana. Agradeço pela leitura e sugestões aos amigos: Fernando Mattos, Monique Hulshof, Maurício Keinert, Bruno Nadai e Diego Kosbiau.