VI Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental Porto Alegre/RS – 23 a 26/11/2015 IBEAS – Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1 ANÁLISE DA DINÂMICA HISTÓRICA DE MUDANÇA DE USO E COBERTURA DO SOLO NA MICRORREGIÃO DE PIRACICABA/SP COM ENFOQUE NA CULTURA DA CANA DE AÇÚCAR. Deborah Regina Mendes (*), Daniel Garbellini Duft, Alberto Giaroli de Oliveira Pereira Barretto, Marcelo Valadares Galdos * Pontifícia Universidade Católica de Campinas – deborah_mendes10@yahoo.com.br RESUMO Os estudos realizados sobre o balanço de carbono nacional demonstram gradativa elevação das fontes de geração de GEEs após a Revolução Industrial, principalmente quando analisado a matriz energética, acarretando na atual mobilização em busca de fontes alternativas de energia, para a substituição de combustíveis de origem fóssil. Essa realidade depara-se com o aumento da demanda interna e externa por etanol criando o panorama de expansão significativa em curto período de tempo de áreas cultivadas com cana de açúcar no Brasil (RUDORFF et al., 2010), considerando uma importante etapa da transição para uma economia de baixo carbono. No entanto, a sustentabilidade ambiental dos biocombustíveis tem sido amplamente questionada, principalmente em relação à mudança de uso da terra relacionada à expansão de culturas agro energéticas. Nesse contexto, esse estudo tem por objetivo analisar a dinâmica de mudança de uso e cobertura do solo decorrente da expansão da cultura de cana de açúcar na microrregião de Piracicaba - SP, por meio da classificação de imagens multitemporais do satélite Landsat com base nos principais marcos do setor sucroalcooleiro nas últimas décadas. Obtendo uma expansão potencial para as áreas destinadas a cana de açúcar no período de 1990 a 2005, retomando o acréscimo ocorrido na década de 70 com o Proálcool e retração no panorama atual (2005 a 2015). Assim como, demostrando que o emprego do sensoriamento remoto permite de forma eficaz e rápida a visualização e quantificação das áreas destinadas ao uso e cobertura do solo, e seu entendimento em função de características externas, tornando-se uma ferramenta fundamental para o entendimento dos processos sustentáveis e as consequências trazidas pelas mudanças ambientais geradas em escala global, auxiliando na identificação de impactos e fontes de degradação oriundos das ações antrópicas no meio, assim como na gestão ambiental. PALAVRAS-CHAVE: Sensoriamento Remoto; Conversão de uso do solo; Expansão agrícola; Biocombustível; Gestão ambiental. INTRODUÇÃO A emergente ciência de mudança de uso, na qual o estudo da dinâmica histórica das conversões ocorridas faz parte, tem se destacado na atualidade, sendo apontada como ferramenta fundamental nos projetos que visam o entendimento dos processos sustentáveis e as consequências trazidas pelas mudanças ambientais geradas em escala global. Construindo a interdisciplinaridade entre diversas ciências, tais como, o sensoriamento remoto, a biologia, a economia, etc, construindo assim uma ciência cujo propósito é relacionar conhecimentos geográficos como localização e extensão de unidades espaciais, tais como área e produtos ao longo de uma série histórica, contextualizando as motivações envolvidas (econômicas ou sociais) nas conversões de uso e as formas pelas quais ocorreram através de embasamentos como, por exemplo, tecnologias empregadas (fertilizantes, irrigação, maquinários, mão de obra, entre outros). Possibilitando assim, o planejamento físico e a gestão de uso regionalmente, a criação de políticas e gestão de recursos visando o uso sustentável em nível nacional tanto no presente quanto no cenário futuro e o comparativo entre as técnicas empregadas em cada nação padronizando as ações de monitoramento e sustentabilidade ambiental (HART ENERGY CONSULTING & GABI, 2010) A partir de uma análise em escala global, temos que dos 15 milhões de hectares mundiais cerca de 2% sofreram conversão do seu estado natural para espaços urbanos, enquanto dos mais de 30% que correspondem a áreas agrícolas aproximadamente 10% foram convertidos apenas no período recente, essa transformação ocorreu em regiões distintas do globo, tendo diminuído as áreas destinadas a plantações agrícolas na Europa e América do norte e expandido em regiões da China, África e América do sul, panorama inversamente proporcional ao evidenciado para as áreas florestais que sofreram intenso desmatamento (IEA, 2011).