ARTIGO ORIGINAL einstein. 2009; 7(1 Pt 1):1-4 Influência do hipoandrogenismo na resistência cicatricial cutânea em ratos Influence of hypoandrogenism in skin wound healing resistance in rats Denny Fabrício Magalhães Veloso 1 , Andy Petroianu 2 , Juliano Alves Figueiredo 3 , Luiz Ronaldo Alberti 4 RESUMO Objetivo: Verificar o efeito do hipoandrogenismo na cicatrização de lesão cirúrgica cutânea em diferentes períodos pós-operatórios. Métodos: Quarenta e quatro ratos Wistar machos foram distribuídos nos seguintes grupos: Grupo 1Y – controle, ratos jovens (30 dias de vida); Grupo 1A – Controle, ratos adultos (três a quatro meses de idade); Grupo 2Y – Orquiectomia, ratos jovens; Grupo 2A – Orquiectomia, ratos adultos. O Grupo 2 foi submetido a orquiepididimectomia total bilateral, já o Controle recebeu incisão e sutura escrotal. Após seis meses, realizou-se incisão linear no dorso dos animais. A resistência das cicatrizes foi medida com um tensiômetro, utilizando um fragmento de pele. Esse procedimento foi feito no 7 o e no 21 o dia após a realização das incisões. Resultados: A resistência da cicatriz no sétimo dia foi maior no Grupo 1Y do que no grupo 2Y (p < 0,05). A resistência cicatricial após 21 dias foi maior do que a encontrada após sete dias em todos os grupos (p < 0,05). Não se verificou diferença entre as resistências cicatriciais tardias entre os ratos jovens e adultos. Conclusões: A orquiectomia reduziu a resistência cicatricial nos animais jovens no sétimo dia pós-operatório. Descritores: Orquiectomia; Hipogonadismo; Testosterona; Androgênio; Cicatrização de feridas; Ratos ABSTRACT Objective: The objective of the present study is to verify the effect of testosterone depletion on healing of surgical skin wounds at different ages and postoperative times. Methods: Forty-four Wistar male rats were divided into four groups: Group 1y (n = 11) – young control, sham-operated rats (30 days-old); Group 1A (n = 10) – adult control, sham-operated rats (three to four months old); Group 2Y (n = 10) – young rats after bilateral orchiectomy; and Group 2A (n = 11) – adult rats after bilateral orchiectomy. After six months, a linear incision was performed on the dorsal region of the animals. The resistance of the wound healing was measured in a skin fragment with a tensiometer, on the 7th and 21st postoperative days. Results: The wound healing resistance was higher in Group 1Y than in Group 2Y after seven days (p < 0.05). Wound healing resistance at 21 days was higher than at seven days in all groups (p < 0.05). Late wound healing resistance was not different between young and adult rats. Conclusions: Bilateral orchiectomy decreased the wound healing resistance only in young animals at the seventh postoperative day. Keywords: Orchiectomy; Hypogonadism; Testosterone; Androgen; Wound healing; Rats INTRODUÇÃO A cicatrização de feridas pode ser prejudicada por di- versas condições, como hiperglicemia, hipoproteinemia, infecção e alterações na síntese do colágeno. Hormô- nios androgênicos causam balanço nitrogenado positivo e aumentam a síntese de proteínas. Devido ao efeito anabólico desses hormônios, sua utilização foi proposta para acelerar a cicatrização de feridas. Vários estudos mostraram que as feridas são sensíveis a estímulos de androgênios e que sua deficiência resulta em cicatriza- ção anômala (1-3) . A atividade pró-mitótica desses media- dores em concentrações fisiológicas parece estimular a produção de tecido de granulação em feridas. Em con- trapartida, doses elevadas de testosterona têm efeito inibitório no tecido de granulação (4) . Cerca de 95% da testosterona é secretada pelas células intersticiais dos testículos e está sob controle do hormônio estimulador das células intersticiais, que é produzido na hipófise anterior. O restante é sinte- tizado nas glândulas suprarrenais. Dessa forma, a or- quiectomia bilateral causa uma depleção quase total de testosterona no organismo, o que possibilita a avalia- Trabalho realizado na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte (MG), Brasil. 1 Mestre em Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte (MG), Brasil. 2 Livre-docente; Professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte (MG), Brasil. 3 Mestre em Cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte (MG), Brasil. 4 Livre-docente; Professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte (MG), Brasil. Autor correspondente: Luiz Ronaldo Alberti – Rua Professor Baroni, 151 – apto. 401 – Gutierrez – CEP 30440-140 – Belo Horizonte (MG), Brasil – Tel.: 31 9955-0400 – e-mail: luizronaldo@zipmail.com.br Data de submissão: 28/8/2008 – Data de aceite: 5/12/2008