DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v13i4.18936 Cienc Cuid Saude 2014 Out/Dez; 13(4):600-607 _______________ *Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Básica da Escola de Enfermagem da UFMG. E-mail: allanareiscorrea@gmail.com **Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Associada do Departamento de Enfermagem Básica da UFMG. E-mail: dacle@enf.ufmg.br ***Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Belo Horizonte. Docente da Universidade José do Rosário Velano - UNIFENAS. E-mail:dam.morais@gmail.com ****Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil da UFMG. E-mail: brunaamancio@yahoo.com.br ARTIGOS ORIGINAIS ATENDIMENTOS A VÍTIMAS DE PARADA CARDÍACA EXTRA-HOSPITALAR COM DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO EM UNIDADES DE SUPORTE BÁSICO Allana dos Reis Corrêa* Dacle Vilma Carvalho** Daniela Aparecida Morais*** Bruna Figueiredo Manzo*** RESUMO O uso de Desfibriladores Externos Automáticos (DEAs) pode ser benéfico para pacientes com Parada Cardiorrespiratória (PCR), mesmo se utilizado por indivíduos treinados a manuseá-lo ou leigos. Este estudo teve o objetivo de caracterizar atendimentos às vítimas de PCR, de provável etiologia cardíaca realizados pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Belo Horizonte após a incorporação do DEA nas Unidades de Suporte Básico (USB). Trata-se de um estudo epidemiológico, retrospectivo. As variáveis utilizadas foram baseadas no estilo Utstein e os dados submetidos à estatística descritiva. Dos 543 atendimentos, 58,4% das vítimas eram do sexo masculino e a mediana da idade foi de 56 anos. Em 39,0% das ocorrências houve o acionamento e atendimento conjunto de uma USB e uma Unidade de Suporte Avançado (USA) e, em 86,6% destes as USBs chegaram, em média, 15,5 minutos primeiro. Em 46,6% dos atendimentos houve indicação de manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP). Das 112 pessoas que receberam manobras de RCP com um desfibrilador, a maioria (75,0%) delas foi pelo DEA. O choque foi indicado para 14,3% e mais da metade (58,3%) teve retorno da circulação espontânea. Esse resultado demonstra a importância do DEA, permitindo acesso à desfibrilação precoce às vítimas de PCR. Palavras-chave: Parada Cardíaca extra-hospitalar. Desfibriladores. Ressuscitação Cardiopulmonar. Serviços Médicos de Emergência. Assistência Pré-hospitalar. INTRODUÇÃO As doenças do aparelho circulatório ainda hoje representam a principal causa de morte em países desenvolvidos e em desenvolvimento (1) . As doenças coronarianas são a principal causa de parada cardiorrespiratória (PCR) no Brasil, sendo as isquêmicas do coração responsáveis por até 80% dos episódios de morte súbita (2,3) . A morte súbita é definida como inesperada e decorrente de causa cardíaca que acontece imediatamente ou em período de uma hora após o início dos sintomas da doença isquêmica cardíaca (1) . A condição clínica que caracteriza a morte súbita é a PCR definida como cessação de atividade mecânica cardíaca, ou seja, ausência de sinais de circulação, ausência de responsividade e pulso, apnéia ou respiração agônica (4) . Aproximadamente 80% das PCR ocorrem em ambientes não hospitalares e necessitam de estratégias adequadas e urgentes de intervenção (5) . Dentre estas, destaca-se o acesso precoce à desfibrilação, uma vez que o principal ritmo da PCR em ambiente não hospitalar é a Fibrilação Ventricular (FV) e o tratamento definitivo para a reversão deste ritmo é a desfibrilação (1) . A desfibrilação consiste no uso terapêutico do choque elétrico de corrente contínua, não sincronizado ao eletrocardiograma, aplicado no tórax ou diretamente sobre o miocárdio com o intuito de promover a despolarização simultânea de uma massa crítica de células ventriculares