A INSERÇÃO DO TERMO EUGENIA NA REVISTA BRASILEIRA DE ENFERMAGEM – REBEN, 1932 A 2002 1 Lilian Denise Mai * Emília Luigia Saporiti Angerami ** RESUMO A publicação da Revista Brasileira de Enfermagem – REBEn, além de descortinar aspectos importantes da história da enfermagem brasileira, permite acompanhar diversos movimentos que se entrecruzaram a essa história, como o movimento eugenista, cujas primeiras manifestações ocorreram no Brasil nas primeiras décadas do século XX. O presente artigo tem como objetivo analisar a inserção do termo eugenia e correlatos na REBEn no período de 1932 a 2002. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, em que foram investigados 227 fascículos e selecionados 18 textos que apresentavam referência nominal ao termo eugenia ou correlatos. Foram delimitadas três ênfases ou fases: conceituação e objetivos (1932 a 1951); conflitos éticos, legais e morais (1954 a 1976) e eugenia como um tema do início do século XX (1993 a 2002). Percebe-se que a enfermagem tem acompanhado o movimento mais amplo em torno da eugenia nos dois primeiros momentos, ou seja, de defesa e estímulo a sua prática e seu posterior declínio, quando predominam conflitos éticos, legais e morais. Por outro lado, não está sinalizando para as mudanças de conceitos e as novas formas de intervenção ligadas às biotecnologias na atualidade. Palavras-chave: Eugenia. Enfermagem. História. INTRODUÇÃO A publicação da Revista Brasileira de Enfermagem (REBEN) durante o período de 1932 a 2002, além de descortinar aspectos importantes da história da enfermagem brasileira, permite acompanhar diversos movimentos que se entrecruzaram a essa história. É o caso do movimento eugenista, cujas primeiras manifestações ocorreram no Brasil nas primeiras décadas do século XX. A enfermagem, enquanto construção social, aproximou-se das idéias eugenistas de forma a vê-las expressas em sua principal revista, inclusive permitindo perceber diferentes momentos do movimento eugenista brasileiro como um todo. A partir de um trabalho de pesquisa mais amplo, que buscou analisar o conteúdo de cunho eugenista produzido pela enfermagem brasileira e publicado em periódico nacional, a REBEn, no período de 1932 a 2002 (MAI, 2004), verificou-se que há uma produção continuada na revista que aborda a temática eugenia ao longo do período, mesmo sem o uso do termo propriamente dito. Para tal, partiu-se do princípio de que a eugenia representa a preocupação com a saúde e a constituição das futuras gerações e que medidas eugenistas podem ser propostas em um sentido positivo ou negativo, idealizadas teoricamente ou viabilizadas na prática em forma de cuidados e experiências profissionais. Este artigo é um recorte dessa pesquisa, cujo objetivo é analisar a forma de inserção do termo eugenia e correlatos na REBEn ao longo de 70 anos de sua publicação. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cuja fonte documental foi a Revista Brasileira de Enfermagem – REBEn, publicada no período 1 Extraído da Tese de Doutorado “Análise da produção do conhecimento em eugenia na Revista Brasileira de Enfermagem - REBEn, 1932 a 2002” apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – USP, em 2004. * Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá – Paraná. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Higienismo e Eugenismo – GEPHE. ** Enfermeira. Professora Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem. Ciência, Cuidado e Saúde Maringá, v. 5, Supl., p. 85-91. 2006