!!!"" Raquel Meister Ko. Freitag Universidade Federal de Sergipe – UFS INTRODUÇÃO Neste texto, são apresentados resultados do projeto “Procedimentos discursivos na fala de Itabaiana/SE” (Edital Universal 03/2007 FAPITEC/FAP-SE), o qual se propõe a analisar estratégias gramaticalizadas de interação, sequenciação e modalização em banco de dados de fala constituído nos moldes da sociolinguística variacionista. Especificamente, são apresentados resultados acerca do uso e funcionamento de marcadores discursivos interacionais (requisitos de apoio discursivo) característicos da fala de Itabaiana/SE (projeto financiado pelo Programa de Auxílio à Integração de Docentes e Técnico-Administrativos Recém-Doutores às Atividade de Pesquisa – PAIRD/2007/UFS), os quais são comparados com resultados de estudos relativos à fala de Florianópolis/SC, com dados coletados do banco VARSUL, tendo em vista uma análise contrastiva entre as variedades do português falado no Brasil. Em Gorski e Freitag (2006), discutimos aspectos relacionados ao uso dos “requisitos de apoio discursivo” na fala dos florianopolistanos, com base nos dados do VARSUL, focando a dupla noção de marcação: marcação linguística e marcação social. O efeito da marcação linguística (GIVÓN, 2001) se manifesta na relação icônica entre o processamento cognitivo da língua e sua representação material no discurso, no sentido de que processos de produção mais complexa são codificados linguisticamente através de formas materiais mais marcadas. Segundo Givón, formas que pertencem a uma mesma categoria gramatical diferenciam-se quanto ao grau de marcação: as marcadas tendem a ser utilizadas em contextos cognitivo-comunicativos complexos; por sua vez, as formas não marcadas tendem a ser utilizadas em contextos mais simples. Ou seja, as formas gramaticais podem vir a receber usos especializados, particularizados para certos contextos em razão de seu grau de marcação linguística. (GORSKI; TAVARES; FREITAG, 2008). A marcação social refere-se aos valores de estigma/prestígio atribuídos às formas linguísticas pela própria comunidade de fala. O estudo apontou que, embora certas formas fossem linguisticamente menos marcadas, o estigma social atribuído pela comunidade de fala florianopolitana, particularmente às formas não tem? e entendesse?, direcionava seu uso. Como o estudo fora realizado em uma comunidade de fala específica, as autoras sugerem que novos estudos sejam feitos, a partir de dados de outras variedades linguísticas, para refinar a discussão teórica envolvida acerca da correlação entre marcação linguística e social. A perspectiva teórica adotada nas investigações reúne pressupostos da teoria variacionista laboviana (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1982, 1994, 2001) e da teoria funcionalista de linha norte-americana, segundo a qual a gramática, motivada e explicada pela situação comunicativa, é estruturante de aspectos comunicativos da linguagem (a estrutura é vista como maleável e dependente da