VETERINARY MEDICINE Maio/Junho 2012 31 Todavia, para melhorar a pre- cisão do diagnóstico, integrando o conhecimento de base sobre a patogenia da sensibilização e a na- tureza e diversidade dos alergénios, as fontes alergénicas e os alergénios moleculares implicados para os animais devem ser bem identifi- cados. Este processo progressivo apresenta-se, também, como um passo essencial para o diagnóstico veterinário de alergia num futuro próximo, uma vez que deverá ser a base do diagnóstico determinado/ resolvido por componentes, o qual será de grande relevância para uma maior eficácia de medidas de evic- ção e imunoterapia específica, para além da farmacoterapia comum. Começando pelo protocolo clí- nico, que conduzirá a, pelo menos, 80% de diagnósticos positivos de atopia, são necessários diversos métodos laboratoriais para alargar e clarificar o diagnóstico. Torna- -se, assim, necessário investir na melhoria do percurso diagnóstico clinico-laboratorial, atendendo aos diferentes meios complementares de diagnóstico já disponíveis para medicina veterinária e a outros que poderão ficar disponíveis para uso em veterinária, num futuro próximo, apesar da sua atual falta de padro- nização. A identificação dos alergomas para os animais, dentro dos proteo- mas das várias fontes alergénicas, é um trabalho a realizar em alergolo- gia veterinária, de forma a permitir o diagnóstico determinado/resolvido por componentes, e constitui-se como um passo fundamental para a compreensão de fenómenos de 1986 – 2011: 25 anos de diagnóstico de alergia veterinária Luís Martins, DVM, PhD; Ofélia Bento DVM, PhD reatividade cruzada e melhoria da eficácia da imunoterapia específica. Só um conhecimento aprofun- dado sobre os métodos de diag- nóstico laboratorial disponíveis e os alergénios implicados fornecerá aos alergologistas veterinários a ne- cessária informação para prosseguir para lá da implementação do plano de diagnóstico clínico, num cenário futuro, cada vez mais exigente. IMPORTÂNCIA DO TEMA A progressiva melhoria das con- dições de vida de pessoas e seus animais de companhia assume, provavelmente, um papel impor- tante no desenvolvimento de sensi- bilização e alergia, como condições emergentes, nas áreas da medicina humana e veterinária. A consulta de animais de companhia, por razões do foro alérgico, veio aumentando muito para além da comum alergia às pulgas, 1,2 sendo o prurido a mo- tivação principal. Nessas situações, a pele apresenta-se frequentemente eritematosa, podendo desenvolver diversas lesões, primárias e secundá- rias, as quais acarretam importante prejuízo para a qualidade de vida. 3 Igualmente, sintomatologia digestiva ou cutânea de alergia alimentar, 4,5,6 rinite e conjuntivite com agrava- mento invernal, por alergia a ácaros e a fungos, 7,8,9,10 ou primaveril, por alergia a pólenes 1,11 são condições referenciadas. No que respeita à dermatite alér- gica, os conceitos e a caraterização das lesões, assim como os critérios para diagnóstico, têm observado acentuado debate desde a década de 1980. 12-17 Neste contexto, e fun- RESUMO Pulgas, diversos aeroalergénios, bem como muitos alimentos, são as fontes alergénicas mais comuns para os animais, sendo frequentemente causa de reações alérgicas que apre- sentam diferentes órgãos-alvo, tais como a pele, o olho ou os sistemas respiratório e digestivo. O incre- mento de atenção para este domí- nio da patologia clínica veterinária necessita percorrer diretivas bem estabelecidas, quer no diagnóstico clínico, quer laboratorial. Desde os critérios propostos por Hanifin and Rajka (1980) para o diagnóstico de dermatite atópica em humanos, su- cessivas propostas têm sido desen- volvidas para identificar dermatite atópica em cães. Um plano consen- sual foi primeiramente proposto por Willemse, em 1986, sofrendo várias modificações em 1994. Em 1998, Prelaud e colaboradores estabele- ceriam importantes modificações, a que, em 2009, Favrot proporia vários ajustamentos de pormenor, os quais seriam suportados pela Task Force Internacional para a Dermatite Atópica Canina, em 2010. Luís Martins, DVM, PhD Departamento de Medicina Veterinária e Hospital Veterinário, Universidade de Évora; Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Universidade de Évora. Ofélia Bento (DVM, PhD) Departmento de Zootecnia, Universidade de Évora; Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, Universidade de Évora.