XII Congresso Latino-Americano de Ciências do Mar - XII COLACMAR Florianópolis, 15 a 19 de abril de 2007 AOCEANO – Associação Brasileira de Oceanografia DINÂMICA SAZONAL DAS MASSAS DE ÁGUA NO CANAL DE SÃO SEBASTIÃO (SE BRASIL) DE MARÇO DE 2005 A MAIO DE 2006 Oliveira 1 , O.M.P.; Marques 1 , A.C. 1 Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, R. Matão, Trav. 14, 101, 05508-900, São Paulo, SP, Brasil. Emails: ottompo@usp.br; marques@ib.usp.br Apoio: FAPESP (proc. 2004/15300-0; 2004/09961-4; 2003/02432-3), CNPq. ABSTRACT Four different water masses are found in the São Sebastião Channel along the year. The Coastal Waters are predominant. Tropical Waters and South Atlantic Central Waters (flowing southwards with the Brazilian Current) inflows the channel in the summer. Southern Coastal Waters inflows the channel in the winter. The preset study presents the seasonality of the water masses (from March 2005 to May 2006) and discusses its importance to the biota of the channel. Palavras-chave: Águas Costeiras, Águas Tropicais, Águas Centrais do Atlântico Sul. INTRODUÇÃO O Canal de São Sebastião é uma passagem marinha com 25 km de extensão, 2 a 7 km de largura e profundidade máxima em torno de 40 m, localizado entre a Ilha de São Sebastião (Município de Ilhabela) e o continente (Município de São Sebastião), na costa norte do Estado de São Paulo, sudeste do Brasil (23°43'-23°52'S; 45°20'-45°27'W)(Fig. 1). As correntes no canal são direcionadas pelo vento, com predominância de fluxo para NE no inverno, associadas às chegadas de frentes atmosféricas (CASTRO-FILHO, 1990). Reversões freqüentes no sentido das correntes a cada 2 a 4 dias são observadas nos demais períodos do ano (SILVA et al., 2001). Quatro diferentes massas de água ocupam o Canal de São Sebastião ao longo do ano. A massa de Águas Costeiras (AC: T>20ºC, S~34,5‰) está presente no canal durante a maior parte do ano (SILVA et al., 2001). A temperatura de AC oscila entre 20 e 28°C (geralmente superior a 20°C na superfície) ao longo do ano; a salinidade se mantém entre 34,0 e 35,0‰ (SILVA et al., 2001). No verão, a região é influenciada pelas águas quentes da massa de Águas Tropicais (AT: T>22ºC, S>35,0‰) e pelas águas frias das Águas Centrais do Atlântico Sul (ACAS: T<18ºC, S• 35,0‰) que rumam para o sul formando a Corrente do Brasil (CAMPOS et al., 1996; SILVA et al., 2001). AT é uma massa de água de superfície e se mistura com AC principalmente nos meses mais quentes. Já a ACAS sofre um processo de ressurgência sobre a plataforma continental da região e por vezes adentra o Canal de São Sebastião pela calha que se forma próximo ao lado insular de sua entrada ao sul (SILVA et al., 2001). Em raras ocasiões a ACAS chega a aflorar na superfície do canal, mas em geral permanece na camada mais funda, formando uma forte termoclina (SILVA et al., 2001). A massa de Águas Costeiras do Sul (ACS: T<21ºC, S<34‰), caracteristicamente menos salina devido à influência de áreas estuarinas como Cananéia (25ºS) e Santos (24ºS), ocasionalmente adentra o canal nos meses mais frios (CASTRO-FILHO et al., 1987; SILVA et al., 2001). Tais eventos estão geralmente associados à chegada de frentes frias atmosféricas oriundas de áreas ao Sul (SILVA et al., 2001). O conhecimento acerca da dinâmica de massas de água tem se mostrado muito importante para a compreensão do desenvolvimento de comunidades, dos ciclos de vida e da distribuição de organismos em diversas áreas (e.g. JAUREGUIZAR et al., 2003; ACHA & MIANZAN, 2006). Embora a dinâmica das massas de água no Canal de São Sebastião já seja conhecida, estudos prévios não foram conduzidos mensalmente e seus dados foram coletados a dez ou mais Figura 1 – Mapa com os pontos de coleta ao longo do Canal de São Sebastião (CSS).