Neotropical Primates 12(3), December 2004 139 Flávia Koch, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, and Júlio César Bicca-Marques, Laboratório de Primato- logia, Faculdade de Biociências, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Av. Ipiranga 6681, Prédio 12A, Porto Alegre 90619-900, Rio Grande do Sul, Brazil, e-mail: <jcbicca@pucrs.br>. References Beck, B. B. 1972. Tool use in captive hamadryas baboons. Primates 13: 276–296. Beck, B. B. 1975. Primate tool behavior. In: Socioecology and Psychology in Primates, R. Tuttle (ed.), pp.413–447. Mouton, The Hague. Chevalier-Skolnikoff, S. 1989. Spontaneous tool use and sensorimotor intelligence in Cebus compared with other monkeys and apes. Behav. Brain Sci. 12: 561–627. Fragaszy, D. M., Izar, P., Visalberghi, E., Ottoni, E .B. and Oliveira, M. G. 2004. Wild capuchin monkeys ( Cebus libidinosus ) use anvils and stone pounding tools. Am. J. Primatol. 64: 359–366. 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Ferraz Introdução O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus ) é conside- rado uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do planeta. Tem sua ocorrência restrita à Mata Atlântica e suas populações se encontram ameaçadas pela destruição e frag- mentação do habitat e também pela atividade de caça (Mit- termeier et al., 2005). Essa situação é considerada ainda mais crítica se levarmos em conta que a área de distribui- ção geográfica original da espécie se encontra localizada na região Leste do Brasil, onde as ações antrópicas foram mais severas (Mittermeier et al., 1989). Como se não bastasse, o muriqui é um dos mamíferos mais caçados nesta região, conforme relatos de caça recentes para o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides, em Mittermeier et al., 1982; 1987; 1989; Mittermeier e Konstant, 1990; Auricchio, 1997) e para o próprio muriqui-do-norte (B. hypoxanthus, em Co- senza e Melo, 1998). Apesar de ter ampla distribuição no leste brasileiro, são conhecidas populações de muriqui-do-norte apenas para Minas Gerais e Espírito Santo (Strier e Fonseca, 1996- 1997). No estado da Bahia, os últimos registros feitos por Aguirre (1971) remontam à década de 60. Desde essa data, nenhuma população de muriquis foi confirmada no estado baiano, até o ano de 2004. Desde 1999, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais e a Universidade Federal de Minas Gerais vêm de- senvolvendo trabalhos de reconhecimento da fauna de ma- míferos, considerando o grupo de primatas como indica- dor de novas áreas, nos vales do rio Jequitinhonha e Doce, visando preservar essa rica biodiversidade (Hirsch, 2003; Melo et al., 2002; Melo, 2004). Este estudo concentrado trouxe detalhes sobre os principais fragmentos florestais existentes nas referidas bacias e permite, hoje, direcionar recursos e esforços conservacionistas nas áreas apontadas como de importância para a conservação dessa fauna de primatas diagnosticada e, conseqüentemente, dos demais mamíferos e das demais espécies tipicamente florestais. Concomitante a essas iniciativas, o Ministério do Meio Ambiente abriu um edital, em 2002, convocando institui- ções de pesquisa e ensino na tentativa de melhorar nosso conhecimento biológico acerca dos principais biomas brasi- leiros, baseado nos diversos workshops nacionais que foram realizados na última década e no início dessa (Brasil, MMA, 2002). A Conservação Internacional do Brasil associou-se às principais instituições de ensino de nível superior do Estado