Revista eletrônica de musicologia file:///D|/REM/_REM/REMv8/miguez.html[28/12/2009 19:37:14] Revista eletrônica de musicologia Volume VIII - Dezembro de 2004 home . sobre . editores . números . submissões . versão em pdf Por uma renovação do ambiente musical brasileiro: o relatório de Leopoldo Miguez sobre os conservatórios europeus Mónica Vermes (UFES /USP / Fapesp) A proclamação da república no Brasil (1889) desencadeia mudanças significativas no ambiente musical carioca. A extinção do Conservatório de Música – que fora fundado do Francisco Manuel da Silva (1795-1865) – se dá no mesmo ato que funda o Instituto Nacional de Música, no qual passam a se destacar figuras como Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Leopoldo Miguez (1850-1902). Mas, mais que uma mera troca de nome da instituição ou de uma substituição de um grupo administrador por outro, essa mudança coloca no primeiro plano um núcleo de compositores/educadores/“agitadores culturais” que defendem a fundação de uma nova instituição e uma renovação do ambiente musical, e imbuídos de princípios intelectuais, estéticos e acadêmicos particulares. A própria idéia de república – da qual Miguez e Nepomuceno eram abertamente simpatizantes – é uma das manifestações desse final de século 19 do anseio por uma modernização, conseqüência de uma percepção de atraso do Brasil em comparação particularmente com os Estados Unidos e a França no âmbito político. Em termos musicais, essa modernização se traduz, por exemplo, no abandono da ópera italiana como modelo – cujo representante mais notório no Brasil era Antônio Carlos Gomes (1836-1896) – e a adoção da música romântica alemã e francesa como padrões. Se esse movimento já se fazia sentir desde meados do século, com o crescimento significativo na quantidade de concertos de música sinfônica e camerística, ele chega a um importante patamar com a intensificação das ações do grupo de Miguez/Nepomuceno. Dentro desse quadro, o relatório sobre a Organização dos conservatórios de música na Europa (1895), elaborado por Leopoldo Miguez e dirigido ao Ministro da Justiça e Negócios Interiores, revela-se uma fonte importante para entender algumas das premissas intelectuais, estéticas e acadêmicas que serviram de base ao grupo de Miguez. Neste trabalho analisaremos o relatório de Miguez procurando elucidar as idéias que nortearam as iniciativas de modernização do meio musical carioca no final do século 19 e suas conseqüências mais imediatas. Este trabalho é um resultado inicial e parcial do projeto de pesquisa que estou desenvolvendo desde maio deste ano do Departamento de Música da ECA/USP com apoio da Fapesp. O título do projeto é “Produção musical e pensamento: Rio de Janeiro, 1895-1922” e tem como objetivo central analisar a atividade musical – no Rio e no período indicado – procurando evidenciar a rede de relações entre a produção musical – aqui entendida num sentido amplo, incluindo não só a composição de obras musicais, mas as várias iniciativas que dizem respeito à atividade musical, ensino e ciclos de concertos, por exemplo – com o ambiente político, social e cultural mais largo e, por outro lado, com as correntes de pensamento filosófico correntes na época. Não é uma idéia completamente original