CORRELAÇÃO DA ENTROPIA APROXIMADA E DA ÁREA DO SINAL EMG COM A SENSAÇÃO SUBJETIVA DA DOR Iraides Moraes Oliveira, Nayara Nascimento Moraes, Talita Conte Granado, Vitória Gonçalves da Silva Chagas, Alessandro Ribeiro de Pádua Machado, Adriano de Oliveira Andrade, Adriano Alves Pereira Faculdade de Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia – Minas Gerais. Resumo – Na população brasileira, a maioria das pessoas que procuram por assistência médica é devido à dor. Com o aumento da procura nos últimos anos ficou importante estabelecer critérios ou escalas capazes de mensurar a intensidade da dor e então desenvolver escalas de dor por meio do uso de técnicas tradicionais e avançadas, utilizadas no processamento de biopotenciais, proporcionando maneiras práticas e alternativas para avaliação da dor. A pesquisa realizada conclui que as variáveis área e entropia em um período de duzentos milissegundos (200ms) após a estimulação podem ser utilizadas para correlacionar o reflexo de flexão à sensação subjetiva de dor utilizando técnicas de eletromiografia. Palavras-Chave – Biopotenciais, correlação, dor, eletromiografia, reflexo de flexão. Correlation of approximate entropy and area of the reflex flexion with the subjective sensation of pain Abstract – In the Brazilian population, it mostly of people looking for medical assistance is due of pain. With the increase demand in recent years was important to establish criteria or scales able of measuring the intensity of pain and then develop pain scales through the use of traditional techniques and advanced, used of processing in biopotentials, providing practical ways and alternatives for pain assessment. The research concludes that the variables area and entropy in a period of 200 ms after stimulation can be used to correlate the flexion reflex to subjective sensation of pain using electromyography techniques. Keywords – Biopotentials, correlate, pain, electromyography, flexion reflex. Introdução De acordo com a International Association for the Study of Pain (IASP), a dor pode ser definida como um tipo de experiência sensorial e/ou psicológica indesejada, que em uma primeira ocasião está associada à lesão tecidual real ou potencial. Após essa lesão, o tecido é sensibilizado e há liberação de mediadores químicos do processo inflamatório, ativando os receptores nociceptivos. Assim, ocorre uma transmissão do estímulo nervoso até as vias periféricas e centrais, o que é interpretado como um estímulo de dor. Dados publicados pela Sociedade Brasileira Para o Estudo da Dor (SBED) indicam que a dor afeta pelo menos 30% dos indivíduos durante algum momento da sua vida e, em 10 a 40% deles, tem duração superior a um dia. Nota-se ainda que as consequências psicossociais e econômicas geradas pela dor são inúmeras e que essas comprometem significativamente a qualidade de vida, por exemplo, muitos dias de trabalho podem ser perdidos por indivíduos que sofrem de dor crônica, aguda ou recorrente. Além disso, é importante que pesquisas que objetivam desenvolver ferramentas para mensurar a dor levem em consideração o uso de técnicas que possibilitem a reprodução de experimentos juntamente com medições estáveis, ou seja, é importante eliminar o tanto quanto possível variáveis subjetivas do processo de quantificação da dor [1]. Não existem dados estatísticos oficiais sobre a dor no Brasil, mas a sua ocorrência tem aumentado substancialmente nos últimos anos. Diante desse aumento é importante entender e estabelecer critérios ou escalas capazes de mensurar a intensidade da dor, e empregar estratégias que levam em consideração a busca da correlação entre sinais biomédicos e a sensação da dor [2, 3, 4]. A avaliação da intensidade da dor normalmente é realizada com o auxílio da Escala Visual Analógica (EVA) [5], porém, esta é subjetiva, assim como a dor, o que pode dificultar, por exemplo, uma conduta terapêutica em um ambiente clínico. Criando uma interface de fácil manuseio é possível ajudar a eliminar essas variáveis subjetivas da dor e a visualizar melhor os resultados. A dor também é um grande problema de saúde pública e gera muitos gastos relacionados aos aspectos médicos e sociais para realizar o diagnóstico e tratamento de suas causas [6]. De tal modo, a quantificação da dor poderia reduzir estes gastos por facilitar a condução do tratamento e até mesmo promover o acompanhamento dos resultados de terapias alternativas e medidas não farmacológicas. Nota-se, dessa forma, que a definição de escalas de dor é um estudo que possui inúmeras aplicações práticas cujos resultados podem ser empregados imediatamente na indústria, em clínicas e hospitais. Diante disso, essa pesquisa tem a seguinte proposta: a possibilidade de correlacionar a sensação dolorosa com biopotenciais, saindo da esfera subjetiva para uma esfera objetiva dos processos de avaliação de dor, atualmente desenvolvidos pelos profissionais de saúde, propiciando um julgamento mais rigoroso e preciso da situação do paciente.