Análise de Riscos pela FMEA. Aplicação ao Tapete Drenante de uma Barragem de Aterro Ricardo Santos, Laura Caldeira e João Bilé Serra Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa, Portugal RESUMO: São apresentados os aspectos relevantes das análises de riscos em barragens de aterro através da metodologia qualitativa da FMEA. Procede-se à sua aplicação a uma barragem de aterro para a retenção de estéreis mineiros. Apresentam-se em detalhe, para o tapete drenante da barragem, as suas funcionalidades, os seus modos potenciais de rotura, as suas causas iniciadoras e os seus efeitos directos e nos vários elementos constituintes do sistema composto pela barragem e pela sua zona de influência. São ainda referidas as medidas disponíveis em obra para a detecção das causas ou dos modos de rotura e o controlo dos seus efeitos. PALAVRAS-CHAVE: Análise de Riscos, FMEA, Barragens de Aterro, Tapete Drenante. 1 INTRODUÇÃO As análises de riscos têm vindo, progressiva- mente, a granjear popularidade como meio para tratar as incertezas associadas ao com- portamento das estruturas geotécnicas. De entre as metodologias disponíveis (Cal- deira 2005), a análise dos modos de rotura e seus efeitos (FMEA) permite a ilustração dos aspectos relevantes de aplicação deste tipo de análises, servindo de base a desenvolvimentos futuros através de abordagens mais comple- xas. Para aplicação do método escolheu-se a Barragem de Cerro do Lobo – barragem de aterro zonada, construída para a retenção de rejeitados. Dadas as limitações de espaço, apenas é apresentada uma das componentes da estrutura – o tapete drenante. Refere-se que o método, conceptualmente muito simples e aparentemente de aplicação muito directa, se reveste de complexidade crescente à medida que aumentam o número de componentes e a interacção entre os diver- sos elementos constituintes do sistema. 2 ANÁLISE DOS MODOS DE ROTURA E SEUS EFEITOS (FMEA) FMEA é o acrónimo na língua inglesa para Failure Modes and Effects Analysis. Trata-se de um método de análise indutivo, iniciando- se o estudo pela caracterização do sistema, prosseguindo com a identificação, para cada componente constituinte do sistema, das res- pectivas funções e dos potenciais modos de rotura - modos de falha - e terminando com a avaliação dos seus efeitos na componente em análise e no comportamento global do siste- ma. Procura ainda explicitar os procedimentos para detecção das falhas e para o controlo dos seus efeitos no sistema. Diferencia-se dos restantes tipos de análises de riscos pelo facto de o elo de ligação entre as diferentes compo- nentes do sistema ser estabelecido em termos da função exercida e da respectiva participa- ção no desempenho global do sistema. A FMEA apresenta limitações importantes, aplicando-se essencialmente para avaliações preliminares que visam sobretudo a melhoria do conhecimento acerca do funcionamento e do desempenho dos sistemas. Admite-se que ocorre uma rotura da com- ponente sempre que esta cessa de desempe- nhar adequadamente as funções para as quais foi concebida, assumindo-se, no entanto, que todos os restantes elementos constituintes do sistema funcionam adequadamente. A FMEA segue uma estrutura básica, per- feitamente definida, com seis etapas: (i) estru- turação do sistema; (ii) definição das fun- ções/requisitos de cada componente do siste- ma; (iii) identificação dos modos potenciais